- A safra de 2026 no Rio Grande do Sul teve ótima qualidade e maturação plena das uvas, com exemplos atípicos como 26,2 °Bx (15,7% de graduação alcoólica) na Quinta da Orada.
- A Pinot Noir atingiu 14,3% de graduação alcoólica, nível raro no Brasil por sua sensibilidade a chuvas e ventos.
- O desempenho está ligado a condições climáticas favoráveis: inverno mais frio para dormência, chuvas antes da frutificação e baixa precipitação durante o amadurecimento.
- Vindimas ocorreram até o início de abril na Serra Gaúcha e na Serra do Sudeste, com amadurecimento lento e maior concentração de açúcares.
- A vinícola Lidio Carraro, em Encruzilhada do Sul, destaca terroir para tintos estruturados e aposta na maturação plena para manter sanidade e concentração natural na safra 2026.
Com a finalização da safra 2026, vinícolas do Rio Grande do Sul registram índices expressivos de qualidade e volume. Produtores apontam maturação plena das uvas durante o ciclo, com destaque para o desempenho técnico observado na Serra Gaúcha.
Na Quinta da Orada, pertencente à vinícola Casa Marques Pereira em Monte Belo do Sul, algumas variedades alcançaram 26,2 °Bx, o que corresponde a 15,7% de álcool. Tal nível é incomum para a região e lembraria vinhos licorosos.
Segundo Felipe Marques Pereira, sócio da vinícola, seis variedades chegaram a graduação típica de vinhos nobres. A prática levou a um resultado próximo de um Amarone durante o estágio de maturação, antes da fermentação final.
Entre as uvas que se destacam está a Pinot Noir, tradicionalmente desafiadora no solo gaúcho. A casta atingiu 14,3% de álcool, um feito raro no Brasil por sua sensibilidade às chuvas e aos ventos.
Especialistas apontam as condições climáticas do ciclo como fator determinante. O inverno mais frio favoreceu a dormência das vinhas, enquanto chuvas pré-frutificação favoreceram o desenvolvimento uniforme das plantas.
O amadurecimento ocorreu com baixa quota de chuvas, o que ajudou na concentração de açúcares, na sanidade das uvas e na qualidade geral do ciclo. Esse conjunto de fatores é visto como diferencial da safra.
Além da Serra Gaúcha, a Serra do Sudeste registrou números expressivos. Encruzilhada do Sul, Pinheiro Machado e Caçapava do Sul tiveram vindimas até o início de abril.
A ausência de chuvas durante a colheita, o frio noturno e as maiores amplitudes térmicas contribuíram para um amadurecimento mais lento, favorecendo a concentração de açúcares.
Na vinícola Lidio Carraro, de Encruzilhada do Sul, o desempenho das videiras reforça o terroir local como alternativa viável à Serra Gaúcha para vinhos tintos estruturados, segundo a equipe técnica.
A vinícola mantém a estratégia de não intervenção no campo e na vinificação, apostando na maturação plena para manter sanidade e concentração natural dos compostos. O objetivo é alcançar vinhos expressivos da safra 2026.
Enólogo Juliano Carraro destaca que a maturação completa dos parreirais deve resultar em vinhos com equilíbrio e concentração, sem comprometer a saúde das plantas ao longo do ciclo.
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