- Tabuletas de argila com escrita cuneiforme, com cerca de 5,2 mil anos, foram analisadas no Museu Nacional da Dinamarca, revelando textos econômicos, religiosos, mágicos e médicos.
- O projeto Tesouros Escondidos busca digitalizar e tornar acessíveis as tabuletas, ampliando o público entre especialistas e leigos.
- A escrita cuneiforme não possui alfabeto; usa sinais gravados em argila, variando entre 600 e 1.000 caracteres, representando sílabas ou palavras inteiras.
- Uma cópia de lista régia faz menção ao lendário Gilgamesh, sugerindo que o personagem pode ter existência histórica.
- Registros de Tell Shemshara e de Hama indicam atividades administrativas, contas, listas de mercadorias e tratamentos medicinais, além de um recibo antigo de cerveja.
O Museu Nacional da Dinamarca analisa tabuletas de argila gravadas com escrita cuneiforme, parte de uma das maiores coleções dinamarquesas. Pesquisadores da Universidade de Copenhague digitalizaram os documentos, revelando textos econômicos, religiosos, médicos e administrativos.
Os registros remontam a cerca de 5,2 mil anos, no início da escrita na Mesopotâmia. A coleção atua como ponte entre o passado e o público atual, oferecendo acesso a línguas antigas, leis e rituais por meio de imagens digitais.
A iniciativa faz parte do projeto Tesouros Escondidos, que visa tornar o acervo mais acessível a especialistas e leigos. O objetivo é ampliar o entendimento sobre as diversas línguas representadas pelas tabuletas e seu universo de uso.
Reis míticos e cerveja
Entre os achados, está a reprodução de uma lista régia que cita Gilgamesh, figura lendária associada a registros que sugerem a possível existência histórica do personagem. Pesquisas indicam que o artefato pode oferecer pistas sobre o período em que Gilgamesh teria vivido.
Além disso, há registros sobre atividades cotidianas antigas, incluindo documentos do Tell Shemshara, no norte do Iraque, que descrevem processos administrativos, contas e listas de mercadorias. Tais itens mostram uma burocracia complexa presente naquela era.
Segundo pesquisadores, uma das tabuletas trazia um suposto ritual anti-bruxaria, ligado à autoridade real na Assíria por sua função de afastar infortúnios que afetariam o governante. A descoberta reforça a ligação entre magia, política e vida cotidiana.
Burocracia antiga e consumo
Outra peça enfatiza que, mesmo em registros de 4.500 anos, existiam recibos de cerveja. A evidência indica que o consumo de bebidas era comum e integrado a atividades administrativas, comerciais e cerimoniais da época. A documentação reforça o papel da cerveja como componente da vida cotidiana.
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