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Assentamento polar com quatro meses de escuridão proíbe morrer no local

Longyearbyen proíbe enterros há décadas devido ao permafrost, que pode preservar patógenos, enquanto a cidade vive o sol da meia‑noite e abriga o Svalbard Global Seed Vault

Longyearbyen destaca-se como o assentamento humano mais ao norte do mundo, onde a luz do sol desaparece por meses // (imagem ilustrativa)
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  • Longyearbyen, na região de Svalbard, fica aos 78° de latitude norte, possui pouco mais de dois mil moradores e está entre a Noruega continental e o polo norte.
  • Existe desde há mais de setenta anos a proibição de enterros no local, devido ao permafrost que impede a decomposição de corpos; pessoas em estado terminal são transferidas de avião para o continente, e a cremação exige licença estadual.
  • Em 1998, exumaram corpos no cemitério local e encontraram vírus da gripe espanhola ainda ativo, cerca de oitenta anos após o sepultamento.
  • Em 2024, o regulamento dos cemitérios foi atualizado para reiterar a regra de não sepultamento, mantendo a medida de proteção contra riscos sanitários.
  • Próximo ao centro fica o Svalbard Global Seed Vault, cofre subterrâneo com mais de um milhão de amostras de sementes, criado para resistir a catástrofes e uso já comprovado em 2015, quando sementes da Síria foram retiradas.

A 78ª latitude norte abriga Longyearbyen, o maior vilarejo acima de mil habitantes. Entre a Noruega continental e o Polo Norte, a cidade enfrenta solo permanentemente congelado e uma população de ursos polares superior à de pessoas. Ali, há mais de sete décadas, uma norma impede enterros.

Desde 1950, o governo da Noruega proibiu novos sepultamentos em Longyearbyen. O cemitério existente teve suas entradas fechadas, e quem chega a falecer não pode ser enterrado ali. Transferência de pessoas em estado terminal para o continente é prioridade, com distância superior a 2 mil quilômetros.

A proibição não é punição, e sim precaução. O permafrost mantém o solo congelado, preservando corpos por tempo indeterminado. Em 1998, exumações mostraram vírus da gripe de 1918 ainda ativo, 80 anos após o sepultamento, reforçando a cautela.

Entes e razões da regra

A proposta de atualização de 2024 reforçou a norma: caixões não podem ser sepultados no solo de Longyearbyen. A medida considera o derretimento do permafrost, que aumenta com o aquecimento global, elevando o risco de liberação de patógenos armazenados no subsolo.

Longyearbyen fica ainda sob a sombra de quatro meses de escuridão. O sol da meia-noite ilumina de 18 de abril a 24 de agosto; a noite polar, de 27 de outubro a 15 de fevereiro. A cidade recebe o sol diretamente apenas por volta de 8 de março, devido às montanhas.

Padrões de vida no raio Ártico

A Solfestuka, festa anual que celebra o retorno do sol, marca o calendário local. A cidade abriga o Svalbard Global Seed Vault, cofres subterrâneos que guardam mais de 1 milhão de amostras de sementes, mantidas a -18 °C para proteção global. Em 2015, sementes sírias foram retiradas para apoiar o reflorestamento após a guerra.

A região concentra cerca de 3 mil ursos polares, o que levou, desde 2012, à exigência de portar arma de fogo ao sair dos povoados. A proibição de gatos domésticos visa proteger aves de origem ártica; mães grávidas são orientadas a deixar a cidade antes do parto.

Longyearbyen, não exigindo visto de entrada, reúne mais de 50 nacionalidades. A temperatura média anual fica em −6,9 °C; julho registra 4,7 °C, e o recorde de −46,3 °C ocorreu em março de 1986. O quadro climático é definido por estações extremas e pela luz contínua ou ausência de luz.

Perspectivas de futuro

Longyearbyen permanece como um laboratório de presença humana em extremos globais. O permafrost que abriga sementes e vírus mostra o duplo papel da cidade: guardiã de recursos estratégicos e fronteira de convivência com as mudanças climáticas. A complexa rede de regras demonstra a necessidade de equilíbrio entre proteção sanitária e vida local.

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