- Exames laboratoriais ganharam popularidade fora das indicações clínicas, muitas vezes vendidos como medicina personalizada, com promessas de reposições e tratamentos.
- Exames pedidos sem contexto podem levar a tratamentos desnecessários, resultados fora da faixa de referência e aumento de custos para pacientes e planos de saúde.
- Médicos alertam que diversos itens, como T3 reverso, serotonina plasmática, cortisol isolado, testosterona em mulheres e lítio, costumam ser usados sem indicação clínica sólida.
- Minérios, marcadores tumorais e testes de intolerância ou doença celíaca/tolerância à lactose também são solicitados fora de contexto, gerando risco de diagnósticos imprecisos e dietas desnecessárias.
- Especialistas recomendam foco no básico: boa anamnese, contexto clínico claro e cautela com protocolos que associam exames a venda de tratamentos.
Nos últimos anos, exames laboratoriais ganharam popularidade nas redes sociais e entre alguns consultórios. A prática aparece como medicina personalizada, ortomolecular ou de alta performance, mas nem sempre tem embasamento clínico. O efeito pode ser mais financeiro que terapêutico.
Especialistas afirmam que pedidos sem contexto aumentam o risco de tratamentos desnecessários. Exames que não têm indicação em diretrizes podem gerar alterações irrelevantes, levando a novas investigações e a prescrições com efeitos adversos. O problema vai além do custo.
Denúncias vêm de médicos e nutricionistas que atuam no Brasil. O endocrinologista André Gonçalves alerta para a proliferação de listas amplas de exames, muitas vezes padronizadas para todos os pacientes, sob discurso de personalizado. A médica Karen de Marca corrobora a observação.
Mudanças de tema e impactos
A lista de exames sem contexto costuma vir associada à promessa de “protocolos” ou “equilíbrio hormonal” vendidos pela clínica. Em alguns casos, há indicação de reposições e infusões com componentes manipulados, mesmo sem evidência clara de benefício.
Gonçalves alerta que esse conjunto de práticas pode encarecer o sistema de saúde atuarialmente. O custo induzido afeta todos os usuários, não apenas quem paga pelo exame, segundo ele. O risco de diagnósticos falsos também é destacada por Karen.
Exames com indicação duvidosa
Entre os itens citados, o T3 reverso, a serotonina plasmática, o cortisol isolado, a dosagem de testosterona em mulheres e o lítio aparecem como exemplos de procedimentos sem indicação para uso generalizado. A lista inclui ainda minerais como selênio e cobre, além de marcadores tumorais sem uso de rastreamento.
Tese de defesa e papel do paciente
Especialistas defendem que a anamnese bem conduzida é o mínimo necessário antes de solicitar qualquer exame. Menos é mais quando se trata de exames que não respondem a uma pergunta clínica clara. O acompanhamento deve partir de sinais objetivos, não de promessas de tratamento.
Pacientes costumam enfrentar dificuldade para distinguir necessidade de excesso. Sinais de alerta incluem listas fechadas, pedidos para uso no consultório, promessas de protocolos ou venda atrelada a resultados. Em geral, a recomendação é priorizar o básico: sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física.
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