- 54% dos brasileiros já recorreram à inteligência artificial para tirar dúvidas sobre alimentação no último ano, segundo estudo da plataforma Olá Doutor com 500 adultos.
- O tema ficou entre os dois assuntos mais buscados em ferramentas como ChatGPT e Gemini na área da saúde, atrás apenas de sintomas gerais.
- Perfil dos usuários: mulheres (74,5%), com idade até 30 anos, estudantes; 45,4% disseram ter mudado hábitos após as consultas.
- Nutricionistas apontam riscos: planos gerados por IA podem ter personalização falsa, calorias inadequadas, dietas excessivamente restritivas e desconsiderar doenças ou condições.
- Uso útil da IA inclui organização de listas de compras, ideias de receitas e planejamento, desde que a IA não substitua acompanhamento profissional; existem ferramentas de apoio com supervisão de nutricionistas, como o FoRC da USP.
A maior parte dos brasileiros já recorreu à inteligência artificial para tirar dúvidas sobre alimentação, segundo estudo divulgado pela plataforma Olá Doutor em 2026. A pesquisa ouviu 500 adultos de todas as regiões do país.
Entre quem já usou IA para questões de nutrição, 54% disseram ter modificado hábitos alimentares ou a rotina de exercícios após as consultas. O levantamento aponta mulheres como maioria entre os usuários, com 74,5%, em comparação com 66,2% entre homens.
Especialistas destacam que a IA pode oferecer organização de listas de compras, sugestões de cardápio e dúvidas pontuais, desde que não substitua o acompanhamento profissional. Pacientes costumam levar cálculos de calorias e propostas de dietas para as consultas, segundo nutricionistas ouvidas pela reportagem.
Panorama da prática
O crescimento do uso de IA na nutrição também tem gerado preocupações quanto à qualidade dos planos alimentares criados. Profissionais lembram que respostas pautadas em padrões generalistas podem não considerar particularidades clínicas ou comportamentais de cada paciente.
Além disso, há relatos de planos com calorias abaixo do necessário, restrições excessivas ou orientações que não respeitam o contexto de saúde metabólica. Em alguns casos, dietas hipocalóricas são priorizadas em detrimento da sustentabilidade ou do bem-estar do paciente.
Estudos publicados indicam falhas de macronutrientes em planos gerados por IA para adolescentes com sobrepeso, com déficit de proteínas e carboidratos, o que tende a se refletir em ajustes inadequados se usados como substituto de orientação humana.
Quando a IA é útil
Especialistas ressaltam que a IA pode apoiar a organização de compras, ideias de receitas e planejamento semanal, ajudando a facilitar a adesão a hábitos saudáveis. O uso deve permanecer como ferramenta de apoio, sem substituir a avaliação técnica individualizada.
Alguns pacientes chegam a consultar IA antes da consulta para traçar expectativas; nisso não há contraindicação, desde que haja supervisão profissional para interpretar resultados e ajustar condutas.
Inovação na prática clínica
Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP desenvolveram uma ferramenta de IA para gerar planos alimentares personalizados. A solução utiliza a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos e considera preparo, sazonalidade e restrições inseridas pelo nutricionista.
Em avaliação, 18 nutricionistas aprovaram a maior parte dos planos gerados, segundo estudo publicado no Journal of Food Composition and Analysis. A ferramenta é vista como auxiliar, mantendo a decisão clínica sob responsabilidade do profissional.
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