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Estudo de Harvard revela que humanos ainda evoluem

Harvard mostra que evolução humana acelerou na Eurásia Ocidental nos últimos milênios, com centenas de variantes associadas a traços físicos e doenças

A seleção natural moldou os genomas humanos modernos muito mais do que se pensava — Foto: National Human Genome Research Institute/Flickr
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  • Estudo de Harvard analisou o DNA de quase 16 mil pessoas que viveram na Eurásia Ocidental ao longo de dez mil anos para entender a seleção natural.
  • A pesquisa concluiu que cerca de 2% das mudanças na frequência de genes são resultado da seleção natural, equivalentes a 479 variantes.
  • Muitas variantes fortemente selecionadas estão associadas a características atuais, como pele clara, cabelo ruivo e risco de doenças como celíaca e Crohn.
  • Também foram identificadas variantes relacionadas à imunidade, como resistência a HIV e à hanseníase, além de menor probabilidade de calvície e de algumas doenças.
  • Os cientistas destacam que o efeito observado é fraco, mas relevante, e que os resultados ajudam a entender a evolução humana e a saúde, com planos de ampliar a análise para outras populações e períodos.

A evolução humana continua, mesmo que de forma menos perceptível. Pesquisa recente liderada por científicos da Universidade de Harvard analisa DNA antigo para entender como nossas características passaram a ser herdadas ao longo de 10 mil anos na Eurásia Ocidental. O estudo foi publicado na Nature.

Foram examinados genes de quase 16 mil pessoas que viveram nessa região ao longo do tempo. Até então, havia apenas cerca de 21 casos bem documentados de seleção natural direcional, ou seja, mudanças genéticas favoráveis à sobrevivência e à reprodução.

A análise revela que a seleção natural acelerou a disseminação ou o declínio de centenas de variantes genéticas desde o fim da Era do Gelo. Embora tenha sido um sinal fraco, ele aparece de forma consistente com o conjunto de dados disponíveis.

Novas técnicas, velhos genomas

A equipe usou métodos computacionais avançados para isolar sinais de seleção direcional de outras causas de alterações genéticas, como migração e flutuações aleatórias. Segundo Ali Akbari, os dados permitiram observar padrões que importam para a biologia humana.

David Reich destacou que a técnica identificou sinais relevantes, mesmo quando a mudança é sutil. Os cálculos apontam que cerca de 2% de todas as mudanças na frequência de genes são resultados da seleção natural, em torno de 479 variantes no conjunto estudado.

Quais genes mantemos?

Os pesquisadores conseguiram mapear quando certos alelos começaram a ganhar ou perder espaço na população da Eurásia Ocidental. Mais de 60% das variantes fortemente sinalizadas associam-se a características atuais, como pele clara, cabelo ruivo, resistência a infecções e predisposição a doenças.

Também houve ligações com fatores poligênicos que influenciam traços complexos, como a expectativa de vida. Algumas mudanças parecem ampliar atributos benéficos, enquanto outras reduzem fatores considerados prejudiciais.

Desdobramentos e caminhos futuros

Os autores ressaltam que uma alteração genética hoje pode não ter mudado no passado. O estudo abre caminho para investigar sinais em outros grupos com DNA antigo suficiente, ampliando o entendimento sobre o que é único ou comum entre populações.

Entre os objetivos futuros está ampliar a análise para grupos do Leste Asiático, África e Américas, buscando entender a evolução recente e mais remota. Os resultados podem orientar pesquisas em saúde e doença, além de ampliar o conhecimento sobre a diversidade humana.

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