- Pesquisadores da NYU Langone Health apresentam um modelo que explica como células cancerígenas se adaptam à quimioterapia por meio de plasticidade celular e memória epigenética.
- O estudo destaca as proteínas AP-1, que se ativam rapidamente sob estresse e regulam a expressão de genes, permitindo reconfigurar o funcionamento celular.
- O mecanismo funciona como um “algoritmo evolutivo” dentro da própria célula, gerando diferentes padrões de expressão gênica e escolhendo o mais adaptativo.
- As mudanças ocorrem na forma de controlar genes (alteração epigenética), não de mutações no DNA, e podem ser herdadas entre células do tumor, aumentando a resistência aos tratamentos.
- Os pesquisadores planejam investigar mais a fundo as combinações de AP-1 e buscar terapias que paired com agentes antiadaptação para melhorar a eficiência do tratamento no longo prazo.
Em estudo recente, pesquisadores da NYU Langone Health, nos EUA, apresentam um modelo que explica como células cancerígenas se adaptam dinamicamente à quimioterapia. A hipótese envolve não apenas mutações genéticas, mas a chamada plasticidade celular, que permite ligar e desligar genes conforme o ambiente.
O modelo, divulgado na revista Nature, destaca a atuação de proteínas da família AP-1. Essas proteínas se ativam sob estresse e regulam a expressão de genes, permitindo que as células reconfigurem seu funcionamento de forma rápida.
Segundo os pesquisadores, a plasticidade genética possibilita que as células testem diferentes combinações de expressão gênica até encontrar uma configuração mais favorável. Quando estável, esse estado pode ser transmitido a células vizinhas do tumor, contribuindo para a resistência aos fármacos.
Além disso, o estudo indica que o mecanismo não envolve alterações no DNA, mas sim mudanças epigenéticas que atuam como memória celular. Essa memória pode persistir e ser transmitida, mantendo a resistência ao tratamento ao longo do tempo.
Mecanismo de adaptação
O mecanismo proposto envolve fatores de transcrição que se ligam ao DNA para controlar grandes conjuntos de genes. A AP-1, ao formar dímeros de diferentes formas, regula distintos conjuntos gênicos conforme o contexto celular.
Essa recombinação funciona como um sistema de sobrevivência, permitindo que tumores explorem padrões de expressão gênica variados até encontrar o caminho mais eficiente para resistir ao estresse terapêutico.
O estudo revela que o processo é guiado por um ciclo de feedback: combinações de AP-1 que reduzem o estresse tendem a se manter, enquanto opções ineficazes são descartadas. A configuração resultante sustenta a sobrevivência celular.
Os autores destacam que essa adaptação pode ocorrer sem alterações no código genético. A mudança é epigenética, funcionando como memória que pode ser herdada por células-filhas dentro do tumor.
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