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Estudo revela como células tumorais desenvolvem resistência ao tratamento

Células cancerígenas exibem memória molecular que permite resistência à quimioterapia, por atuação de proteína AP-1 e alterações epigenéticas

Células cancerígenas possuem uma “memória”, que as ajudam a transmitir para outras gerações de células a capacidade de resistir a tratamentos — Foto: Flickr
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  • Pesquisadores da NYU Langone Health apresentam um modelo que explica como células cancerígenas se adaptam à quimioterapia por meio de plasticidade celular e memória epigenética.
  • O estudo destaca as proteínas AP-1, que se ativam rapidamente sob estresse e regulam a expressão de genes, permitindo reconfigurar o funcionamento celular.
  • O mecanismo funciona como um “algoritmo evolutivo” dentro da própria célula, gerando diferentes padrões de expressão gênica e escolhendo o mais adaptativo.
  • As mudanças ocorrem na forma de controlar genes (alteração epigenética), não de mutações no DNA, e podem ser herdadas entre células do tumor, aumentando a resistência aos tratamentos.
  • Os pesquisadores planejam investigar mais a fundo as combinações de AP-1 e buscar terapias que paired com agentes antiadaptação para melhorar a eficiência do tratamento no longo prazo.

Em estudo recente, pesquisadores da NYU Langone Health, nos EUA, apresentam um modelo que explica como células cancerígenas se adaptam dinamicamente à quimioterapia. A hipótese envolve não apenas mutações genéticas, mas a chamada plasticidade celular, que permite ligar e desligar genes conforme o ambiente.

O modelo, divulgado na revista Nature, destaca a atuação de proteínas da família AP-1. Essas proteínas se ativam sob estresse e regulam a expressão de genes, permitindo que as células reconfigurem seu funcionamento de forma rápida.

Segundo os pesquisadores, a plasticidade genética possibilita que as células testem diferentes combinações de expressão gênica até encontrar uma configuração mais favorável. Quando estável, esse estado pode ser transmitido a células vizinhas do tumor, contribuindo para a resistência aos fármacos.

Além disso, o estudo indica que o mecanismo não envolve alterações no DNA, mas sim mudanças epigenéticas que atuam como memória celular. Essa memória pode persistir e ser transmitida, mantendo a resistência ao tratamento ao longo do tempo.

Mecanismo de adaptação

O mecanismo proposto envolve fatores de transcrição que se ligam ao DNA para controlar grandes conjuntos de genes. A AP-1, ao formar dímeros de diferentes formas, regula distintos conjuntos gênicos conforme o contexto celular.

Essa recombinação funciona como um sistema de sobrevivência, permitindo que tumores explorem padrões de expressão gênica variados até encontrar o caminho mais eficiente para resistir ao estresse terapêutico.

O estudo revela que o processo é guiado por um ciclo de feedback: combinações de AP-1 que reduzem o estresse tendem a se manter, enquanto opções ineficazes são descartadas. A configuração resultante sustenta a sobrevivência celular.

Os autores destacam que essa adaptação pode ocorrer sem alterações no código genético. A mudança é epigenética, funcionando como memória que pode ser herdada por células-filhas dentro do tumor.

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