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Lago sob 4 km de gelo na Antártida tem 15.690 km² e vida antiga

Lago Vostok fica sob quatro quilômetros de gelo na Antártida; água a −3 °C, oxigênio cinquenta vezes maior que lagos comuns e traços de DNA de micro-organismos milenares

Sob quase 4 quilômetros de gelo maciço na Antártida Oriental, existe um lago do tamanho de um país pequeno que não vê a luz do sol desde a pré-história humana
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  • O Lago Vostok fica sob quatro quilômetros de gelo na Antártida, com água líquida a cerca de 3.769 metros abaixo da superfície.
  • Tem aproximadamente 250 quilômetros de comprimento por 50 quilômetros de largura, cobrindo cerca de 15.690 quilômetros quadrados.
  • A água está estimada em −3 °C, mantida líquida pela alta pressão do gelo e aquecimento geotérmico na base.
  • O lago é o maior subglacial da região e foi perfurado pela primeira vez em 2012, com amostras subsequentes em 2015 revelando DNA de bactérias e outros microrganismos.
  • Análises do gelo de acreção indicaram mais de 3.507 organismos distintos, sugerindo vida isolada por milhões de anos e abrindo caminhos para entender ambientes semelhantes em outros mundos.

O Lago Vostok, localizado na Antártida, permanece sob quase 4 km de gelo a −3 °C. Ele é o maior lago subglacial do continente, com cerca de 250 km de comprimento e 50 km de largura, isolado da atmosfera por aproximadamente 15 milhões de anos.

Perfurações russas levaram à sua primeira superfície em 2012, após mais de duas décadas de trabalho. Amostras iniciais sofreram contaminação, mas uma segunda perfuração, concluída em 2015, revelou DNA de bactérias ainda não descritas pela ciência.

Dimensões e ambiente sob o gelo

A água do lago cobre cerca de 15.690 km² e atinge profundidade máxima de 1.067 metros. O gelo acima varia de 3.750 a 4.300 metros de espessura, mantendo a água a quase 3,8 milímetros de distância da superfície.

A água apresenta oxigênio dissolvido cerca de 50 vezes maior que a de lagos comuns, resultado de gases aprisionados ao longo de milhões de anos sob alta pressão. Isso sugere potencial presença de organismos aeróbicos adaptados ao ambiente.

Descoberta e dados genômicos

A existência do lago foi confirmada em 1996, por dados de radar e altimetria. Em 2012, a primeira perfuração atingiu a superfície do lago a 3.769,15 metros de profundidade. Amostras subsequentes mostraram presença de DNA de microrganismos não descritos.

Análises realizadas na camada de gelo de acreção, entre 3.539 e 3.769 metros, indicam 3.507 organismos distintos, incluindo bactérias, fungos e sequências associadas a ambientes marinhos. Parte disso pode refletir contaminação da perfuração.

Significado científico

Estudos sugerem que a ausência de luz tornaria a biosfera do Vostok dependente de quimiolitoautotropia, semelhante a comunidades em chaminés hidrotermais. Há indícios de atividade hidrotermal no assoalho, o que reforça a hipótese energética para a vida do lago.

O Vostok serve como análogo terrestre para oceanos subterrâneos de luas do Sistema Solar, como Europa e Encélado, ampliando as perspectivas sobre a habitabilidade em ambientes extremos.

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