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Neurociência indica que videogames treinam atenção, memória e agilidade decisória

Estudos indicam que jogos de ação modulam a neuroplasticidade, aumentando massa cinzenta no córtex pré-frontal e hipocampo, com ganhos em atenção e memória

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  • Jogos de ação podem melhorar atenção visual seletiva, rapidez de foco e precisão em ambientes com distrações, segundo estudos sobre neuroplasticidade.
  • Pesquisas associam mudanças no cérebro a áreas como córtex pré-frontal, hipocampo e redes visuais/parietais, com aumento da densidade de massa cinzenta nessas regiões.
  • A prática repetida de jogos de ação envolve monitorar o ambiente, planejar rotas, lembrar posições e tomar decisões em frações de segundo, fortalecendo redes neurais relacionadas.
  • Existem evidências de que habilidades treinadas com games podem se transferir moderadamente para tarefas como vigilância visual e resposta rápida em contextos fora dos jogos.
  • O debate atual enfatiza uso moderado e contexto: os impactos dependem do tipo de jogo, tempo de exposição e características individuais, não sendo possível rotular os videogames como bons ou ruins de forma geral.

Os videogames deixaram de ser apenas entretenimento e passaram a ser usados como objeto de estudo na neurociência. Pesquisadores investigam como o cérebro de jogadores se reorganiza diante de estímulos rápidos e imprevisíveis, indo além do comportamento observado na tela.

A ideia central é a neuroplasticidade: o cérebro muda com a experiência. Jogos que exigem localização de alvos móveis, memórias de trajetos e decisões rápidas repetem tarefas que fortalecem circuitos neurais, especialmente em áreas ligadas à atenção, memória de trabalho e controle executivo.

O que a ciência já encontrou

A pesquisadora Daphne Bavelier destacou uma ligação entre jogos de ação e mudanças na forma de processar informações visuais. Em experimentos, pessoas treinadas com games de tiro em primeira pessoa mostraram melhora na atenção visual seletiva em relação a quem não jogava.

Resultados indicam maior eficiência em localizar alvos entre distrações e em alternar o foco com rapidez e precisão. Os efeitos aparecem em circuitos que conectam áreas visuais ao córtex parietal e ao córtex pré-frontal, responsáveis pelo foco atencional e pela seleção de informações relevantes.

Como os jogos influenciam atenção, memória e decisão

Jogos de ação combinam monitoramento do ambiente, planejamento de rotas, memória de posições e decisões rápidas sobre avançar ou recuar. Essa carga estimula a memória de trabalho e acelera a tomada de decisão, exigindo ajustes constantes.

Imagens cerebrais mostram aumento da densidade de massa cinzenta no córtex pré-frontal, ligado ao planejamento e controle de impulsos, e no hipocampo, associado à navegação e à memória. Em redes visuais e parietais, há melhoria na integração entre percepção e ação.

Treinamento cognitivo de alta intensidade?

Mesmo sem serem criados para esse fim, os jogos funcionam como treino cognitivo intenso. Cada partida apresenta desafio, erro, feedback e ajuste de estratégia, fortalecendo redes neurais pelo ciclo de neuroplasticidade.

Alguns estudos sugerem transferência de habilidades para tarefas fora do jogo, como vigilância visual, tempo de reação e flexibilidade cognitiva. O processo costuma seguir etapas de reconhecer padrões, prever movimentos, manter informações e receber regramentos por meio de recompensas.

Perspectivas e limitações

Apesar da evidência, continuam dúvidas sobre impactos positivos ou negativos, que dependem de uso, idade e equilíbrio com outras atividades. Em doses moderadas e com supervisão, jogos podem atuar como estímulo cognitivo, desde que haja atenção ao tempo de tela e sono.

A literatura aponta que os efeitos variam conforme o gênero de jogo, o tempo de exposição e contextos individuais. A visão atual busca entender como diferentes jogos interagem com cérebros em desenvolvimento ou já maduros, sem tentar classificar o videogame como bom ou ruim.

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