- Astronautas da Artemis II usam um actígrafo desenvolvido na Universidade de São Paulo para monitorar sono, atividade física e exposição à luz durante a missão.
- O dispositivo aparece no pulso dos tripulantes em imagens oficiais da Nasa.
- O actígrafo, criado pela Escola de Artes, Ciências e Humidades (EACH) da USP, mede movimento, intensidade de luz e tipo de iluminação, ajudando a acompanhar o ritmo circadiano no espaço.
- A tecnologia teve financiamento inicial pelo Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP e hoje é produzida pela Condor Instruments.
- O monitoramento contínuo visa entender impactos da ausência do ciclo claro/escuro natural no desempenho e na segurança dos astronautas, com aplicações também em pesquisas de sono e saúde pública.
O dispositivo actígrafo, desenvolvido na Universidade de São Paulo, pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), foi utilizado pela equipe da missão Artemis II da Nasa para monitorar padrões de sono durante a viagem espacial. O equipamento aparece no pulso dos astronautas em imagens oficiais da agência durante o sobrevoo do lado oculto da Lua, em 6 de abril de 2026, a bordo da espaçonave Orion. A função é registrar movimento, atividade e exposição à luz de forma contínua.
Em missões espaciais, o controle dos ritmos circadianos é essencial para manter desempenho e segurança. O actígrafo mede não apenas a movimentação, mas também a intensidade e o tipo de luz recebida, incluindo a luz azul que influencia a qualidade do sono. Funciona como um relógio no pulso, inferindo períodos de sono a partir da ausência de movimento.
O pesquisador Mario Pedrazzoli, da EACH-USP, coordena o projeto e destaca o potencial internacional da tecnologia brasileira. Segundo ele, a Nasa passa a realizar medições de sono no espaço com um dispositivo de origem brasileira, mesmo com financiamento relativamente menor que o de países desenvolvidos.
Monitoramento do sono no espaço
O actígrafo também avalia a luz melanópica, associada ao ajuste do relógio biológico à rotação da Terra. O equipamento opera de forma contínua, sem interrupções, durante a missão Artemis II.
Tecnologia criada na USP
A iniciativa surgiu a partir de pesquisas da EACH/USP, com financiamento inicial do PIPE, da FAPESP. Ao longo do tempo, a Condor Instruments passou a produzir o equipamento, ampliando seu uso em pesquisas nacionais e internacionais.
Aplicações na saúde e ciência
Diferente de relógios conectados ao consumo comum, o actígrafo tem aplicação em ciência básica e clínica, especialmente em sono, neurociência e saúde pública. Os dados permitem compreender impactos de exposição irregular à luz e horários de sono na saúde humana.
Além de uso em missões da Nasa, as informações geradas ajudam estudos sobre distúrbios do sono e podem embasar políticas públicas voltadas à qualidade de vida. O alcance da tecnologia brasileira evidencia a cooperação entre a USP e instituições internacionais.
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