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Dengue pode elevar 17 vezes o risco de síndrome rara, aponta Fiocruz

Risco de Guillain-Barré aumenta 17 vezes após dengue; nas primeiras semanas, chega a 30 vezes, aponta estudo da Fiocruz

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  • Estudo da Fiocruz Bahia, publicado no New England Journal of Medicine, aponta risco 17 vezes maior de Síndrome de Guillain-Barré em pessoas com dengue.
  • Nas primeiras semanas da infecção, o risco pode chegar a 30 vezes maior.
  • A análise utilizou dados do SUS e identificou que 89 das mais de cinco mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024 ocorreram logo após dengue.
  • A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica rara em que o sistema imunológico ataca nervos, podendo causar fraqueza muscular e dificuldade respiratória.
  • Em 2024, o Brasil enfrentou grande epidemia de dengue; o Ministério da Saúde incluiu teste rápido no SUS e autorizou a vacina do Instituto Butantan, com eficácia de 80,5% contra dengue grave, com vacinação em duas doses ao longo de 2026.

O estudo inédito da Fiocruz Bahia, publicado na New England Journal of Medicine, aponta risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) em pessoas com dengue. Nas primeiras semanas da infecção, o risco chega a 30 vezes mais alto. A pesquisa analisou três bancos de dados do SUS: internações, notificações de dengue e óbitos.

Entre 2023 e 2024, 89 das mais de 5 mil hospitalizações por SGB ocorreram logo após quadro de dengue. Até então, não havia confirmação de relação direta entre as doenças. A SGB é uma condição neurológica rara em que o sistema imunológico ataca os nervos, podendo causar fraqueza muscular progressiva.

Para a pesquisadora Viviane Boaventura, da Fiocruz Bahia, a confirmação da relação favorece diagnóstico precoce e tratamento mais eficaz, transformando hipóteses em evidência. A equipe ressalta ganhos clínicos diretos com vigilância e manejo mais ágil.

Epidemia de dengue e vacinação

Em 2024, o Brasil viveu a maior onda de dengue já registrada, com 4.013.746 casos prováveis, 3.809 mortes e 232 óbitos em investigação. O Ministério da Saúde incluiu o teste rápido de dengue na lista de procedimentos custeados pelo SUS para ampliar o diagnóstico precoce.

O governo também aprovou a vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, com eficácia de 80,5% contra dengue grave e proteção duradoura de pelo menos cinco anos. O imunizante passou a integrar o calendário vacinal com duas doses, visando imunizar a população ao longo de 2026 conforme faixa etária e grupos de risco.

O Ministério da Saúde já adquiriu 3,9 milhões de doses e iniciou a vacinação de profissionais da atenção primária desde fevereiro. A adoção da vacina é apresentada como forma de reduzir casos graves e complicações neurológicas associadas, como a SGB.

Ao acompanhar a implementação, especialistas destacam que a redução de infecções também tende a diminuir internações por complicações graves, com benefício potencial para a saúde pública. O tema ganha relevância para estratégias de combate à dengue no curto e médio prazo.

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