- Em 2025, 19,7% dos domicílios brasileiros tinham apenas um morador, apontando crescimento contínuo dos lares unipessoais.
- De 2012 a 2025, o número passou de 7,5 milhões para 15,6 milhões, alta de 109,8%.
- O principal motor é o envelhecimento da população; saída dos filhos de casa e viuvez também ajudam a ampliar esse tipo de arranjo.
- Entre as pessoas que vivem sozinhas, 54,9% são homens; entre as mulheres, 56,5% tinham 60 anos ou mais em 2025.
- O arranjo nuclear continua predominante, representando 65,6% dos domicílios; o Sudeste lidera, com 20,9%, e Florianópolis tem 30,5% de domicílios unipessoais entre as capitais.
Em 2025, quase um quinto dos domicílios brasileiros tinha apenas um morador, segundo a PNAD Contínua do IBGE. A expansão dos lares unipessoais foi impulsionada pelo envelhecimento da população, pela saída dos filhos de casa e por mudanças nos arranjos familiares.
O crescimento é expressivo em uma década: 12,2% em 2012 para 19,7% em 2025. Em números absolutos, passaram de 7,5 milhões para 15,6 milhões de moradores de domicílios unipessoais, um aumento de 109,8%.
Para o analista do IBGE William Kratochwill, o fenômeno acompanha transformações demográficas e familiares. O envelhecimento é o principal motor dessa mudança, aliado à maior longevidade e às separações em etapas mais avançadas da vida.
Além disso, a saída de filhos de casa e a viuvez elevam a participação de pessoas que vivem sozinhas, especialmente em um país que envelhece.
Diferenças entre homens e mulheres
Entre quem vive sozinho, os homens representam 54,9% dos domicílios unipessoais em 2025. O analista aponta que esse padrão está associado a separações ou a deslocamentos motivados pelo trabalho, especialmente em grandes cidades.
Entre as mulheres, a maior parte era de 60 anos ou mais (56,5%). Esse perfil está ligado à maior longevidade feminina, à viuvez e a separações em idade mais avançada, bem como à autonomia residencial.
Nos domicílios nucleares, há maior equilíbrio entre os sexos, enquanto nas estruturas estendidas as mulheres são maioria entre os responsáveis.
Região e capitais
A presença de domicílios unipessoais é maior nas regiões mais envelhecidas e urbanizadas. Em 2025, o Sudeste tinha 20,9% dos lares formados por uma pessoa, seguido pelo Centro-Oeste, com 20%. Norte registrou 15,1%.
Nas capitais, a participação é ainda maior; Florianópolis aparece com 30,5% dos domicílios com um morador. O analista cita envelhecimento, urbanização e papel de grandes cidades como fatores-chave.
O Norte e o Nordeste apresentaram o crescimento mais acelerado desde 2012, com aumento de 131% no mesmo período.
Panorama demográfico
Em 2025, a população do Brasil somou 212,7 milhões de pessoas. A participação de idosos cresceu, passando de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025. O grupo com 65 anos ou mais representa 11,6% da população.
Por outro lado, a parcela de menos de 30 anos caiu 10,4% na prática, refletindo queda da fecundidade. Até os 40 anos, as faixas etárias ganham peso relativo na pirâmide demográfica.
A taxa de expansão da população reduziu nos últimos anos, de 0,78% (2013) para aproximadamente 0,40% na última metade da década. A diferença entre homens e mulheres se intensifica com o avanço da idade, com 78,9 homens para cada 100 mulheres a partir dos 60 anos.
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