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Bactérias de cavernas profundas resistem a quase todos os antibióticos

Bactérias da caverna Lechuguilla, isoladas por milhões de anos, são resistentes a quase todos os antibióticos, abrindo espaço para novos tratamentos

A resistência aos antibióticos das bactérias isoladas nas cavernas ajuda os pesquisadores a encontrar novas substâncias para uso farmacêutico - (crédito: Getty Images)
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  • Bactérias encontradas na caverna Lechuguilla, no Novo México, mostram resistência a praticamente todos os antibióticos naturais usados na medicina.
  • A pesquisa reuniu Hazel Barton e Gerard Wright, com amostras coletadas em 2012 em um ambiente isolado há milhões de anos, sem contato humano até 1986.
  • A cepa Paenibacillus sp. LC231 resistiu a 26 dos 40 antibióticos testados, incluindo a daptomicina, e genes de resistência semelhantes aos de bactérias resistentes já conhecidas foram identificados.
  • A descoberta sugere que a resistência aos antimicrobianos é parte da história natural dos micro-organismos, não resultado exclusivo da intervenção humana.
  • Cientistas avaliam que o estudo pode orientar o desenvolvimento de novos tratamentos e substâncias farmacêuticas, além de identificar mecanismos de resistência para antecipar futuras defesas contra antibióticos.

Nas cavernas profundas do Novo México, a caverna Lechuguilla está a 489 metros abaixo do deserto de Chihuahua. Estende-se por 240 km, em ambiente sem luz e com alimento escasso. Ali, microrganismos convivem sob condições extremas.

Bactérias isoladas exibem resistência a muitos antibióticos conhecidos, mesmo após milhões de anos de isolamento. Em amostras coletadas em 2012, pesquisadores identificaram que quase todos os micróbios presentes mostravam resistência a antibióticos naturais usados na clínica.

A pesquisadora Hazel Barton, da Universidade do Alabama, liderou as coletas em Lechuguilla, em parceria com o físico Gerard Wright. O objetivo era entender se a resistência observada no ambiente subterrâneo poderia informar novas estratégias farmacológicas.

O estudo confirmou que a resistência não é um fenômeno recente: bactérias antigas, dentro da caverna, já apresentavam genes de resistência a antibióticos. Em alguns casos, esses Genes são idênticos aos encontrados em bactérias patogênicas modernas.

Entre as descobertas está a bactéria Paenibacillus sp. LC231, resistente a 26 dos 40 antibióticos testados, incluindo opções de uso último recurso. O genoma completo desta cepa revelou tanto genes conhecidos quanto cinco genes de resistência inéditos.

A constatação reforça a visão de que a resistência antimicrobiana é parte da história natural dos microrganismos. A competição intensa por recursos dentro da caverna pode ter favorecido a conservação de defesas já existentes.

Além de resistência, a amostra coletada revelou produção de dezenas de compostos antimicrobianos por diferentes microrganismos, incluindo substâncias com estruturas novas. Em uma amostra, foram identificados 38 compostos distintos.

Para o avanço na medicina, especialistas destacam que conhecer os mecanismos de resistência pode orientar o desenvolvimento de novos fármacos. A identificação de vulnerabilidades pode antecipar a evolução da RAM na prática clínica.

O interesse científico em cavernas isoladas persiste, mesmo diante de limitações financeiras. Pesquisadores sinalizam que amostras de ambientes remotos podem revelar antibióticos ancestrais ou alternativas para combater superbactérias, desde que haja financiamento estável para a pesquisa.

O estudo de Lechuguilla reforça a noção de que a resistência aos antimicrobianos depende de fatores evolutivos complexos, incluindo interações entre microrganismos. A partir dessas evidências, a comunidade científica busca caminhos para mitigar a RAM e ampliar o conjunto de ferramentas terapêuticas.

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