- Estudo da Universidade de São Paulo, publicado na revista Food and Humanity, entrevistou cerca de 5 mil pessoas em todas as regiões do Brasil (período de setembro de 2020 a abril de 2021).
- Resultado: metade dos entrevistados lava a carne na pia da cozinha e 38% higienizam corretamente vegetais; 62% não higienizam adequadamente os vegetais.
- Foram identificados ainda problemas como comida deixada fora da geladeira por tempo excessivo e descongelamento inadequado de alimentos.
- Em relação aos vegetais, muitos são consumidos crus sem higienização adequada, o que aumenta o risco de contaminação.
- Na segunda fase, 216 pessoas da Região Metropolitana de São Paulo tiveram as temperaturas de seus refrigeradores monitoradas; 91% estavam dentro da faixa recomendada de 0 °C a 10 °C.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo aponta práticas de higiene e manipulação de alimentos em casa que podem favorecer surtos de doenças transmitidas por alimentos no Brasil. O estudo envolveu cerca de 5 mil pessoas de todas as regiões e foi publicado na revista Food and Humanity.
Conduzido pelo Núcleo de Pesquisa Alimentar, com apoio da Fapesp, o levantamento analisou comportamento de compra, armazenamento e preparo de alimentos entre setembro de 2020 e abril de 2021, período da pandemia. Os pesquisadores destacam lacunas relevantes no dia a dia alimentar.
Cenário e principais constatações
A análise indica que 38% dos entrevistados higienizam vegetais de forma correta, enquanto apenas 62% o fazem inadequadamente. A limpeza deficiente de vegetais é preocupante, já que muitos são consumidos crus.
Proteínas e ovos em foco
Metade dos participantes lavava carne na pia, prática desaconselhada por riscos de contaminação cruzada. Além disso, 24% consumiam carne malpassada e 17% ingeriam ovos crus ou malcozidos, segundo o estudo.
Impactos de temperatura e descongelamento
Outras falhas comuns envolvem descongelamento em temperatura ambiente (39%) e armazenamento de sobras fora da geladeira por mais de duas horas (11%). Essas práticas favorecem a proliferação de microrganismos.
Refrigeração e padrões de higiene
Em uma fase adicional, 216 pessoas da Região Metropolitana de São Paulo mediram a temperatura de seus refrigeradores. Nossos dados mostraram que 91% operavam dentro da faixa segura de 0 °C a 10 °C, reduzindo riscos.
Renda e hábitos
A pesquisa revela relação entre renda familiar e segurança alimentar. Famílias de renda mais alta tendem a adotar higienização com soluções sanitizantes, enquanto faixas mais baixas recorrem a técnicas menos eficazes. Hábitos de higiene variam conforme o poder financeiro.
Perspectivas e orientações
Especialistas destacam medidas simples e acessíveis para reduzir contaminações, como não lavar carne crua, higienizar corretamente frutas, verduras e legumes, separar crudos dos prontos para consumo e higienizar as mãos antes do preparo. Descongelar na geladeira é recomendado, bem como armazenar sobras em até duas horas.
Mudanças de comportamento são consideradas determinantes para a prevenção de infecções alimentares no dia a dia, especialmente em famílias com crianças, idosos ou imunocomprometidos. Pequenas adaptações podem ter grande impacto na segurança alimentar doméstica.
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