- O conflito no Irã mantém cerca de duas mil embarcações presas no golfo Pérsico, transportando aproximadamente vinte e um bilhões de litros de petróleo.
- O estreito de Ormuz abriga golfinhos, recifes de coral variados e outras espécies, que pesquisadores dizem poderem ser prejudicadas pelos vazamentos de óleo.
- O Greenpeace afirmou que manchas de óleo são detectadas regularmente na região, incluindo próximo ao estreito de Khuran, representando risco para áreas úmidas protegidas.
- Especialistas dizem que o óleo pode afetar o sistema cardiovascular, respiratório, imunológico e nervoso dos animais, além de prejudicar sentidos e navegação.
- Os impactos podem se propagar por todo o ecossistema marinho, atingindo predadores, presas e habitats como manguezais, gramados de mana e áreas de nidificação de tartarugas.
O estreito de Ormuz, key da região entre Irã e Omã, permanece em foco internacional devido aos impactos ambientais do conflito e aos vazamentos de petróleo. Cientistas alertam que a contaminação pode afetar o ecossistema marinho, incluindo recifes de corais, tartarugas e mamíferos marinhos.
Cerca de 2.000 embarcações ainda permanecem presas no golfo Pérsico na manhã de sexta-feira, com volume total de aproximadamente 21 bilhões de litros de óleo transportados. Ao longo do conflito, pelo menos 16 ataques a navios foram registrados na região.
Segundo Nina Noelle, porta-voz do Greenpeace, há monitoramento constante de manchas de óleo. Uma das áreas críticas seria próximo ao estreito de Khuran, onde uma embarcação iraniana sofreu dano e continua vazando óleo, apresentando risco a áreas úmidas protegidas.
O estreito de Ormuz é uma passagem estratégica entre o Irã e Omã/Emirados Árabes Unidos, na foz do golfo Pérsico. As correntes locais transportam nutrientes que alimentam plâncton e recifes, sustentando uma variedade de espécies marinhas.
Especialistas destacam a importância ecológica da região para a biodiversidade e para a economia local, que envolve pesca e turismo. Em Musandam, Omã, o mergulho e a observação de golfinhos eram atividades comuns antes do agravamento do conflito.
As condições da região favorecem espécies como golfinhos, tartarugas e tubarões-baleia migratórios. Manguezais e grama marinha abrigam comunidades importantes, incluindo a segunda maior população de dugongos do mundo, em áreas rasas a oeste de Abu Dhabi e ao sul do Catar.
Pesquisadores relatam que o petróleo bruto pode afetar a função cardíaca, respiratória e imunológica dos animais, além de prejudicar o sistema nervoso e a percepção sensorial. A exposição prolongada pode comprometer a capacidade de navegação e de resposta a predadores.
De acordo com o estudo citado pelo pesquisador Martin Grosell, da Universidade de Miami, o óleo pode se espalhar pela coluna de água, alcançando peixes e corais, e prejudicar a tomada de decisões dos animais. Esses efeitos, somados, podem induzir uma redução na sobrevivência de indivíduos e impactos indiretos no ecossistema.
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