- Estudo com mais de 64 mil adolescentes de 12 a 17 anos mostra que mais de oitenta por cento apresentam algum grau de jet lag social.
- O fenômeno é o desalinhamento entre o relógio biológico e horários impostos pela vida cotidiana, levando a noites curtas durante a semana e compensação aos fins de semana.
- Pode piorar desempenho escolar, concentração e humor, além de aumentar o risco de ansiedade, depressão e obesidade; hábitos como uso excessivo de telas, consumo de álcool e pular o café da manhã ajudam a explicar o problema.
- Adolescentes que estudam pela manhã têm maior prevalência do jet lag social; especialistas sugerem início das aulas após as oito horas e trinta minutos para melhorar sono e saúde.
- Medidas indicadas incluem horários de sono regulares, menos telas à noite e maior exposição à luz natural pela manhã, reconhecendo que o tema é de saúde pública devido ao tamanho do impacto.
Dormir tarde, acordar cedo e compensar o sono no fim de semana são comuns entre adolescentes, fenômeno conhecido como jet lag social. O atraso contínuo entre relógio biológico e horários escolares explica esse padrão.
Um estudo da UFRGS com mais de 64 mil jovens de 12 a 17 anos aponta que mais de 80% apresentam algum grau de jet lag social. Os resultados foram publicados na revista Sleep Health.
O que acontece é uma perda crônica de sono nos dias de escola, com compensação nos fins de semana. A discrepância entre horários de sono semanais e de descanso seria o principal motor do desalinhamento.
Fatores que agravam o quadro
A pesquisa associa o jet lag social a hábitos como uso excessivo de telas, consumo de álcool e ausência do café da manhã. Esses comportamentos afetam o sono por diferentes vias e agravam o desalinhamento.
A falta de alimentação matinal costuma sinalizar rotina desorganizada, muitas vezes ligada a noites mais tardias. Em conjunto, ajudam a tornar os horários de sono mais irregulares.
O horário escolar também influencia o fenômeno; adolescentes com aulas pela manhã apresentam maior prevalência. Há consenso internacional de que começar mais tarde as aulas traz benefícios para sono e saúde mental.
Possíveis caminhos e medidas
Especialistas apontam que início das aulas após as 8h30 pode reduzir impactos do desalinhamento. Alguns distritos nos EUA e na Europa já adotaram esse modelo com resultados positivos.
Medidas individuais ajudam a reduzir o efeito, como manter horários estáveis de sono, reduzir telas à noite e buscar exposição à luz natural pela manhã. Pequenos ajustes ajudam, mas não resolvem sozinhos.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas sobre sono na adolescência. A prioridade envolve entender o ritmo biológico dos jovens e considerar mudanças estruturais na organização das rotinas.
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