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Rio desaparecido por 5 milhões de anos é localizado por cientistas

Nova hipótese sugere que o Rio Colorado atravessou o planalto de Kaibab transbordando um lago profundo na Bacia de Bidahochi, moldando o trajeto atual do Grand Canyon

Apesar de possuir um importante valor histórico para os EUA, o Rio Colorado ainda tem a sua própria história de formação e transformação recheada de mistério
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  • Cientistas reconstruíram o antigo percurso do Rio Colorado, que desapareceu há cerca de cinco milhões de anos.
  • Estudo publicado em abril na revista Science afirma que o rio escoou para um lago a montante por milhões de anos antes de atingir o Grand Canyon.
  • A hipótese principal é que o Colorado atravessou o planalto de Kaibab ao transbordar a Bacia de Bidahochi, abrindo passagem para o oeste.
  • A reanálise de arenito da Bidahochi em dezenove locais revelou a “impressão digital” do rio, com cerca de seis milhões e seiscentos mil anos, associada a um aumento na entrada de areia na bacia.
  • Embora haja evidências fortes, a conclusão não comprova o transbordamento; outras possibilidades continuam em discussão.

O Rio Colorado, um dos mais importantes cursos d’água dos EUA, pode ter estado ausente do mapa geológico por 5 milhões de anos. Novo estudo aponta que, há cerca de 6,6 milhões de anos, o rio desaguou em um lago situado a montante e só então começou a escoar para o Grand Canyon.

A pesquisa, publicada em abril na revista Science, analisa rochas, arenito e fósseis de peixes para reconstruir o trajeto antigo do Colorado. Os cientistas dizem que o rio caminhou por uma área a leste do cânion e enfrentou barreiras topográficas que teriam impedido o fluxo.

A projeção principal sugere que o Colorado cruzou o planalto de Kaibab, no norte do Arizona, após o transbordamento de um lago profundo, a Bacia de Bidahochi, a leste. O eventual transbordamento teria aberto passagem para o fluxo ocidental e o início da erosão que moldou o cânion.

Ascensão de pistas geológicas

Para sustentar a hipótese, os pesquisadores reaminaram a costa da formação de Bidahochi, medindo marcas de altura deixadas pelo antigo lago. A nova análise elevou a altitude estimada do nível de água para cerca de 2.250 metros, próxima do ponto necessário para ultrapassar o planalto.

Além disso, amostras de arenito coletadas em 19 locais do fundo da Bacia de Bidahochi foram datadas por cristais de zircão. A datação indicou que, por volta de 6,6 milhões de anos, houve mudanças marcantes que coincidiam com o aparecimento de sedimentos associados ao Colorado.

Interpretações e cautela

A equipe reconhece que a evidência é compatível com o enchimento da bacia e o subsequente rompimento, mas não é prova definitiva do mecanismo exato de transbordamento. outras hipóteses, como a formação de um túnel sob o planalto, não podem ser descartadas ainda.

Pesquisadores citados pela Science ressaltam a relevância da descoberta para entender como a chegada do Colorado à bacia influenciou ambientes biológicos e geológicos da região. As conclusões apontam para uma evolução do rio em escala continental, com impactos no ecossistema ao longo de milhões de anos.

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