- Em seis anos desde o início da covid-19, a pandemia é analisada por indicadores que comparam Brasil e o mundo, com a fase emergencial encerrada há quase três anos.
- Subnotificação e, em alguns casos, falsificações nos registros de óbitos mostram a necessidade de usar o excesso de óbitos como métrica, para comparar países de forma mais fiel.
- O Brasil aparece com excessos de óbitos próximos aos de Rússia e Bulgária; na América Latina, México, Argentina e Bolívia tiveram excessos maiores do que o oficial.
- Na vacinação, o Chile atingiu cerca de 91% de cobertura no fim de 2022, já o México teve 64% e os Estados Unidos 68%; Chile e Uruguai mostraram maior velocidade de vacinação em 2021.
- A taxa de testagem variou muito entre países e o Brasil teve desempenho significativamente menor; estima-se que entre 17 e 30 milhões de pessoas morreram a mais no mundo entre 2020 e maio de 2023, acima dos 7 milhões de óbitos atribuídos à covid.
O balanço da covid-19 em números revela como a pandemia impactou o cenário global e o Brasil. Ao longo de seis anos desde o início, indicadores mostram variações relevantes entre regiões e países, especialmente na forma de medir óbitos e efeitos da vacinação.
Especialistas destacam que comparar somente óbitos por país é injusto sem considerar a população. Índices por 100 mil habitantes ajudam, mas podem subestimar a realidade devido a subnotificações ou distorções na contabilização de óbitos.
A partir de dados que somam registros oficiais com estimativas de excesso de óbitos, observa-se que o Brasil, na América, registra níveis elevados de mortes acima do esperado. No conjunto mundial, a subnotificação também é comum em várias nações.
Excesso de óbitos e registro de mortalidade
O excesso de óbitos indica quantas mortes ocorridas excederam aquilo previsto com base em tendências anteriores. Em muitos países, esse valor supera as cifras atribuídas diretamente à covid-19, apontando subnotificação em diversas frentes.
No Brasil, a diferença entre excesso de óbitos e mortes atribuídas à covid é menor do que em várias nações, sugerindo qualidade relativa dos registros. Ainda assim, o ritmo e o perfil etário influem nos números, conforme a estrutura populacional de cada país.
Entre as américas, países com população mais jovem apresentaram maior excesso de óbitos relativo ao esperado, enquanto nações com população mais idosa também exibiram elevações, em alguns casos acentuadas.
Vacinação, cobertura e velocidade de imunização
Ao final de 2022, a cobertura vacinal variou bastante. Chile registrou cerca de 91% da população vacinada, a maior na região; México ficou com aproximadamente 64%, e Estados Unidos ficaram em cerca de 68%.
A velocidade de vacinação também difere regionalmente. Chile e Uruguai alcançaram marcos de 60% da população vacinada até julho de 2021, enquanto o Brasil teve ritmo mais lento naquele estágio inicial e acelerou depois.
Na Europa Oriental, a cobertura vacinal ficou abaixo de 50% em muitos países, contribuindo para maiores índices de excesso de óbitos em alguns casos. Esses relatos ajudam a entender o impacto das estratégias de imunização.
Testagem e disponibilidade de diagnóstico
A taxa de testagem variou amplamente entre países. China excedeu 6 mil testes por mil habitantes, Inglaterra ficou acima de 7 mil, e Emirados Árabes Unidos aproximou-se de 18 mil. No Brasil, houve queda de oferta de testes nos primeiros anos da pandemia.
A comparação de casos per capita fica complicada devido às diferenças de testagem. Mesmo com boa qualidade de dados de mortalidade, registros de testagem no Brasil permaneceram deficientes e pouco transparentes ao longo do período.
Perspectivas nacionais
Estimativas globais apontam que, além dos cerca de 7 milhões de óbitos atribuídos à covid, entre 17 e 30 milhões de mortes foram adicionais ao longo de 2020 a maio de 2023. A diferença evidencia subnotificações extensas em várias nações.
A próxima edição discutirá indicadores específicos do Brasil, com comparação entre estados, aprofundando o tema já iniciado. O objetivo é oferecer um retrato claro e neutro sobre a evolução da pandemia no país.
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