- Pesquisadores brasileiros anunciam o nascimento de um porco clonado, o primeiro caso na América Latina, em Piracicaba, no dia vinte e quatro de março, segundo o Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco da USP.
- O objetivo é criar porcos geneticamente modificados para fornecer órgãos a humanos, com o próximo passo de implantar embriões modificados para reduzir a rejeição.
- O leitão clonado está saudável, mas ainda não possui as modificações genéticas necessárias para captação de órgãos, representando apenas a primeira etapa.
- Até o momento, foram realizados quatro xenotransplantes em Estados Unidos (EUA), com pacientes tendo resultados variados e algumas mortes não atribuídas diretamente ao transplante.
- A equipe brasileira busca desenvolver tecnologia 100% nacional para levar transplantes de órgãos de porcos ao Sistema Único de Saúde (SUS); o grupo é liderado pela USP e envolve pesquisadores de diferentes áreas.
O grupo brasileiro anunciou o nascimento de um porco clonado, marcando uma etapa no projeto de gerar animais geneticamente modificados para transplante de órgãos em humanos. O leitão nasceu em 24 de março, em Piracicaba, interior de São Paulo, e está saudável, segundo Ernesto Goulart, pesquisador da USP.
A clonagem foi realizada pela equipe do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) da universidade. Os pesquisadores afirmam tratar-se do primeiro caso desse tipo na América Latina, apesar de o porco ainda não possuir as modificações genéticas necessárias para captação de órgãos.
Desdobramentos e próximos passos
O objetivo atual é avançar para a implantação de embriões geneticamente modificados com o objetivo de xenotransplante, ou seja, transplante de órgãos de porcos para humanos. O grupo destaca que a clonagem, por si só, não garante a disponibilidade de órgãos, mas representa um passo inicial importante.
Até o momento, quatro xenotransplantes já foram realizados nos Estados Unidos, todos com porcos geneticamente modificados. O primeiro paciente, David Bennett, recebeu um coração em 2022 e faleceu 60 dias depois devido a rejeição tardia. Em 2023, outro paciente cardíaco recebeu um órgão semelhante e também morreu semanas após a cirurgia, sem relação direta com o xenotransplante.
Dois pacientes americanos receberam rins suínos, com o último caso ainda em acompanhamento: o rim foi retirado em alguns dias após a cirurgia porque o órgão voltou a funcionar por conta própria. Países como China também estudam órgãos suínos geneticamente modificados para xenotransplante.
Estrutura brasileira e atores-chave
O Centro de Ciência para Desenvolvimento em Xenotransplante foi criado dentro do CEGH-CEL, com participação de pesquisadores da USP. Integram a iniciativa o imunologista Jorge Kalil, do InCor; a geneticista Mayana Zatz; e demais pesquisadores Ernesto Goulart, Luiz Caires e Luciano Abreu Brito. A liderança do projeto foi inicialmente conduzida por Silvano Raia, que deixou a direção por motivos de saúde, mantendo participação em decisões estratégicas.
Segundo Mayana Zatz, o objetivo é desenvolver tecnologia 100% brasileira para reduzir a dependência de órgãos estrangeiros e ampliar as possibilidades de transplante no SUS, com avanços que hoje dependem de edições genéticas e técnicas de modificação de genoma.
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