- O professor Lewis Halsey afirma que há compensação de energia: ao gastar mais calorias com treino, o corpo encontra formas de economizar energia, dificultando a perda de peso apenas pelo exercício.
- Essa compensação pode levar a um platô na balança depois de dois ou três quilos de perda, pois aumenta a fome, reduz a atividade em algum momento do dia ou diminui a eficácia das calorias gastas.
- Os mecanismos exatos ainda não estão totalmente claros, mas o efeito é visto como uma adaptação evolutiva para conservar energia.
- Uma estratégia sugerida é alternar tipos de treino (duas semanas de alta queima seguidas por duas de treino de força) para evitar que o corpo aprenda a compensar.
- Embora exercitar-se traga benefícios para saúde e longevidade, mudanças na dieta costumam ter maior impacto na perda de peso; a recomendação é combinar alimentação, treino variado e sono adequado para resultados sustentáveis.
A ciência aponta fatores além da simples conta de calorias para explicar por que a perda de gordura é tão desafiadora. Estudo de especialistas aponta a existência de compensação energética, fenômeno pelo qual o corpo busca economizar energia ao aumentar o gasto com atividade física. Essa reação pode reduzir o impacto de exercícios na balança.
Pesquisadores destacam que o ambiente é obesogênico e favorece hábitos de consumo, o que complica ainda mais a balança. A ideia de “memória de obesidade” e a tendência a reduzir o gasto energético em outras atividades aparecem como elementos relevantes para entender o desafio.
Outra linha de explicação envolve a ideia de compensação energética, apresentada pelo professor Lewis Halsey, da University of Roehampton. Ele explica que o corpo pode economizar energia em resposta ao aumento do gasto calórico, dificultando perdas adicionais de peso.
O que é compensação energética
Segundo Halsey, ao iniciar exercícios regulares, a perda de peso inicial pode ocorrer, mas tende a estagnar. O efeito pode ocorrer porque o corpo aumenta a fome ou reduz atividades não relacionadas ao treino. Dados sugerem que a balança não acompanha exatamente a matemática do input e output energéticos.
Estudos históricos também ajudam a embasar a hipótese. Em 2015, Herman Pontzer estudou populações ativas e sedentárias, encontrando padrões de gasto energético semelhantes entre caçadores-coletores e moradores de áreas urbanas. Essa evidência sugere que o corpo se adapta ao esforço extra com o tempo.
Propostas para contornar o problema
Entre as estratégias discutidas, Halsey sugere alternar tipos de atividade física para evitar que o corpo reconheça padrões de gasto e comece a compensar. A ideia é variar entre semanas com exercícios de alta queima calórica e semanas com treino de menor demanda calórica, mantendo a consistência.
Pesquisas recentes indicam que diversificar as atividades pode estar associada a benefícios de longo prazo. Um estudo de Harvard, de 2026, associou prática de múltiplos tipos de atividade física à maior longevidade, mesmo com a mesma quantidade de exercício total.
O papel da dieta e do estilo de vida
Especialistas costumam enfatizar que mudanças alimentares consistentes são mais eficientes para a perda de peso do que depender apenas do exercício. Além disso, combinar hábitos saudáveis com variabilidade de treino pode reduzir a compensação energética, contribuindo para resultados mais estáveis.
Entre na conversa da comunidade