- O governo da República Democrática do Congo propõe o Corredor Verde Kivu-Kinshasa para transformar a economia de guerra em uma economia de vida, trabalho e esperança, ligando o leste do país a Kinshasa.
- O projeto deve abranger mais de 544 mil quilômetros quadrados, conectando zonas de conservação, desenvolvimento econômico e proteção comunitária, conforme anunciado em Davos e reiterado durante a conferência de governadores provinciais.
- A estimativa é de mais de meio milhão de empregos, principalmente para jovens e mulheres, com uso de cadeias de produção locais e transporte de alimentos do leste para Kinshasa.
- O financiamento requer aporte público e privado, com apoio da União Europeia, que já testa iniciativas-piloto, incluindo um convoy de mercadorias entre o leste e Kinshasa.
- Há dúvidas sobre governança, participação de comunidades locais e uso de terras já concedidas para mineração, agricultura, florestas e hidrocarbonetos, gerando debates sobre benefícios, consulta e implementação.
O governo da República Democrática do Congo pretende transformar a economia do país por meio do Kivu-Kinshasa Green Corridor, uma iniciativa anunciada em Davos e reiterada pelo presidente Félix Tshisekedi. O objetivo central é substituir a economia associada a conflitos por uma economia de vida, trabalho e esperança, conforme discurso feito a governadores provinciais em Bandundu.
O corredor abrangeria uma área superior a 544 mil quilômetros quadrados, do leste do país até Kinshasa, na região oeste. A proposta combina conservação, desenvolvimento econômico e proteção comunitária, buscando ligar as áreas de produção do leste aos grandes mercados no oeste.
Espaços de conservação e motor de estabilidade
Fontes ligadas ao planejamento afirmam que o projeto pode gerar mais de 500 mil empregos, com foco em jovens e mulheres, protegendo mais de um milhão de hectares e valorizando o transporte de alimentos do Leste para Kinshasa. O governo enxerga a iniciativa como estratégia de proteção ambiental aliada a oportunidades econômicas.
Para o governo, o objetivo é proteger florestas, restaurar ecossistemas e estimular a agricultura responsável, além de favorecer o processamento local e ligar hubs de produção do Leste aos grandes mercados. O projeto é apresentado como uma forma de corrigir desequilíbrios históricos entre as regiões.
Apoio internacional e viabilidade prática
A União Europeia acompanha o movimento, apontando potencial para conciliar proteção ambiental com criação de empregos. Parceiros já testam a viabilidade por meio de iniciativas-piloto, como operações de transporte de mercadorias entre o Leste e Kinshasa, destacando o desafio de melhorar a circulação de produtores entre as regiões.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam, no entanto, dúvidas sobre governança e impactos para comunidades locais, incluindo a distribuição de eventuais receitas. Entidades ambientais reconhecem o potencial, mas alertam para a necessidade de participação de populações tradicionais e salvaguardas para concessions existentes.
Desafios e próximos passos
Analistas observam que áreas já demarcadas para mineração, agropecuária, florestas e hidrocarbonetos compõem o caminho do corredor, o que requer acordos complexos e gestão integrada. A agenda inclui modelos de conservação comunitária que beneficiem as populações próximas aos parques e áreas protegidas.
Defensores do projeto citam aprendizados de Virunga como referência para futuras ações, ressaltando a importância de adaptar a iniciativa às realidades locais. A proposta está sujeita a consultas adicionais com comunidades afetadas e revisões de governança antes de qualquer implementação em larga escala.
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