- A pesquisa na Amazônia tem mesclado biologia e humanidades para entender conservação, enfrentando desafios, mas com impactos positivos para ciência e comunidades.
- Dois projetos-chave exemplificam essa abordagem: AmazonFACE, que simula aumento de CO₂ na Amazônia, e ADAPTA III, que acompanha a adaptação de espécies aquáticas a condições extremas.
- Profissionais das ciências humanas atuam como coautores e interlocutores do território, ajudando a analisar efeitos sociais, simbólicos e comunicação científica.
- Hitos práticos incluem a inclusão de uma variável hidrológica nos modelos do AmazonFACE e a adoção de short notes como formato de publicação no ADAPTA III, ampliando acesso e participação.
- Os projetos passaram a considerar impactos sociais e econômicos, discutem políticas de adaptação climática e créditos de carbono, e colocam a ciência como instrumento de bem-estar e conservação na região.
A Amazônia abriga dois grandes projetos que ilustram como a interdisciplinaridade entre biologia e humanidades enriquece a ciência e beneficia comunidades locais. O foco é entender a convivência entre espécies, clima e saberes tradicionais por meio de equipes diversas.
O AmazonFACE e o ADAPTA III trabalham sob a bandeira da integração entre ciências naturais e humanas. Ambos surgem para investigar respostas da floresta ao aumento do CO2 e a adaptação de espécies aquáticas, respectivamente, usando uma abordagem que envolve aspectos sociais, culturais e econômicos.
O AmazonFACE utiliza a técnica Free-Air CO2 Enrichment para simular condições futuras de carbono na floresta madura perto de Manaus. A ideia é observar impactos na fisiologia das árvores e nos impactos climáticos regionais, incluindo possíveis efeitos sobre políticas públicas.
O ADAPTA III, sediado no INPA, em parceria com redes nacionais e internacionais, analisa como as espécies aquáticas se adaptam a mudanças extremas de temperatura e acidificação de águas. O objetivo é compreender dinâmicas ecológicas e impactos socioeconômicos locais.
Elementos humanos da pesquisa
Antropólogos e comunicadores participam ativamente como coautores do conhecimento, não apenas como divulgadores. Em rodas de trabalho, passam a analisar impactos sociais, percepções sobre mudanças climáticas e a forma como dados científicos ganham significado para comunidades ribeirinhas.
A coordenação científica do AmazonFACE afirma que a dimensão socioambiental ajuda a demonstrar que a pesquisa vai além da ecologia. Ela envolve impactos futuros da região, incluindo aspectos econômicos e sociais, o que facilita a captação de financiamento.
No ADAPTA III, a integração se reflete na comunicação científica e na relação com territórios da Amazônia. Um pesquisador destaca a mudança para uma ciência relacional, que inclui bioeconomia, soberania alimentar e diálogo com saberes tradicionais.
Resultados concretos e impactos
As interações entre humanidades e ciências naturais já renderam resultados mensuráveis. No AmazonFACE, entrevistas com comunidades locais ajudaram a incluir novas variáveis hidrológicas nos modelos climáticos, aprimorando as previsões.
No ADAPTA III, a adoção de short notes para divulgação de resultados ampliou o acesso ao conhecimento e funcionou como ferramenta pedagógica e política. Estudantes atuam como editores, revisando e traduzindo a linguagem científica.
A participação de profissionais das humanidades no estágio inicial dos projetos foi desafiadora, mas as equipes afirmam que a integração avançou com o tempo, fortalecendo a capacidade de comunicar ciência de forma mais ampla.
Perspectivas e desafios
Os dois projetos apontam para um novo modo de fazer ciência, no qual perguntas sociais e culturais orientam a pesquisa. A ideia é pensar para quem a ciência serve e como seus resultados podem promover bem-estar e conservação na Amazônia.
Entre os debates gerados, destacam-se questões sobre mitigação climática, créditos de carbono e políticas regionais. A floresta é vista também como espaço político, onde decisões científicas têm consequências econômicas e sociais.
A experiência prática dos projetos reforça a hipótese de que a ciência integrada entre biologia e humanidades pode ampliar impactos positivos, fortalecer comunidades locais e influenciar políticas públicas.
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