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Vulcões submarinos a 2.400 m abrigam vermes de 2,4 m sem boca nem digestivo

Vulcões submarinos a 2.400 metros abrigam vermes-tubo gigantescos sem boca, alimentados por bactérias por quimiossíntese

As profundezas dos vulcões submarinos escondem segredos que ignoram a luz do sol para prosperar no fundo do oceano
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  • Vulcões submarinos a 2.400 metros de profundidade abrigam vida extreme na água a mais de 400 °C, descobertos pelo submersível Alvin em 1977.
  • Verme-tubo gigante Riftia pachyptila atinge 2,4 metros e não tem boca nem sistema digestivo, sobrevivendo com bactérias simbiontes no trofossoma.
  • A sobrevivência na ausência de luz ocorre por quimiossíntese, usando energia química dos fluidos vulcânicos e sulfeto de hidrogênio como base alimentar.
  • Em agosto de dois mil e vinte e três, cientistas liderados por Monika Bright encontraram evidências de biosfera profunda sob a crosta oceânica, mapeando fluidos quentes e ecossistemas ocultos.
  • Entre mil e quinhentos quilômetros ao largo da costa chilena, em agosto de dois mil e vinte e quatro, foram identificadas vinte espécies novas e um monte alto acima dos três quilômetros, com registros de lula e jardim de corais; em mil-novecentos e vinte e cinco, nas Ilhas Sanduíche do Sul, novas espécies e uma esponja carnívora conhecida como bola da morte foram mapeadas a apenas setecentos metros de profundidade.

Dois mil metros abaixo da superfície, vulcões submarinos liberam água a mais de 400 °C e abrigam formas de vida surpreendentes. Em 1977, o submersível Alvin, da Woods Hole Oceanographic Institution, desvendou esse ecossistema a 2.400 metros de profundidade.

Entre as descobertas iniciais, estavam vermes-tubo gigantes sem boca, esponjas carnívoras e comunidades inteiras adaptadas a condições extremas sob a crosta oceânica. A revelação abriu um novo capítulo na biologia marinha profunda.

Fontes hidrotermais: como funcionam

As fontes hidrotermais são chaminés sob o oceano que expeliam água fervente acima de 400 °C. Ao entrar em contato com a água fria, formam estruturas que podem chegar a dezenas de metros de altura, como fumegantes negras, que acumulam sulfeto metálico.

Fumegantes brancas, com temperaturas entre 100 °C e 300 °C, liberam silicatos e bário, alimentando comunidades microbianas distintas. O fenômeno cria ecossistemas únicos, independentes da luz solar.

Verme-tubo gigante e symbiose bacteriana

O verme-tubo gigante, Riftia pachyptila, pode chegar a 2,4 metros. Não possui boca nem sistema digestivo e depende de bactérias simbiontes no trofossoma interno para, por meio da quimiossíntese, produzir alimento a partir de sulfeto de hidrogênio.

Esse arranjo biológico sustenta redes alimentares inteiras em ambientes abissais, onde a energia vem da química dos fluidos vulcânicos. A relação entre animal e microrganismos é essencial para o ecossistema.

Avanços recentes nas profundezas do Pacífico

Em agosto de 2023, biólogos liderados por Monika Bright, da Universidade de Viena, em parceria com o Schmidt Ocean Institute, investigaram o subsolo oceânico com robótica avançada. Eles levantaram crostas rochosas e mapearam galerias com água morna, abrindo evidências de uma biosfera profunda.

O Schmidt Ocean Institute divulgou imagens e dados, reforçando o conceito de ecossistemas profundos sob a crosta oceânica. Pesquisadores destacam a importância de monitorar essas áreas para compreender a diversidade marinha.

Expansão de pesquisas: Nazca e Ilhas Sanduíche do Sul

Em agosto de 2024, sondas autônomas chegaram à Dorsal de Nazca, perto do Chile, para cartografar a região. Foram registradas 20 espécies novas e a topografia de um monte submerso de mais de 3.000 metros de altura, além de um jardim de corais de 800 m².

Em 2025, exploradores viajaram às Ilhas Sanduíche do Sul, no Oceano Austral, encontrando fumarolas rasas e 30 novas espécies. Entre as descobertas, uma esponja carnívora conhecida como bola da morte ganhou destaque entre cientistas.

Impacto tecnológico e preservação

As comunidades hidrotermais foram responsáveis pela descoberta de enzimas usadas na PCR, ferramenta central na biologia molecular. Com a mineração de minerais raros no leito, pesquisas destacam a necessidade de proteger ecossistemas que se dispersam por correntes oceânicas, ligando populações profundas a zonas distantes.

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