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Zoológico de Moctezuma surpreendeu espanhóis há 500 anos, hoje entendido

Nova pesquisa revela detalhes do vivário de Moctezuma II em Tenochtitlán, evidenciando função ritual e poder político ligado aos animais

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  • Nova pesquisa revela detalhes sobre animais mantidos no vivário de Moctezuma II em Tenochtitlán, incluindo aves, serpentes, jaguares, lobos e pumas.
  • O espaço ficava na residência do imperador, no centro da atual Cidade do México, com tanques de pedra vulcânica e centenas de cuidadores; para os mexicas, os animais tinham função ligada ao universo e ao poder.
  • Registros históricos mencionam o vivário: Cortés descreveu cerca de trezentos homens cuidando das aves e de diferentes tanques; o Mapa de Nuremberg e o Códice Florentino apontam o local.
  • Pesquisas em restos de 28 exemplares indicaram espécies como águia-real, harpia, codorna, jaguar, lobo e colhereiro-rosado, sugerindo que o cuidado prolongava a vida desses animais.
  • A localização exata do espaço sob o Palácio Nacional ainda é um enigma, mas o Projeto Templo Mayor, iniciado em 1978, continua revelando evidências sobre o vivário e a relação dos mexicas com a fauna.

No coração de Tenochtitlán, a antiga cidade mexica, existia um vivário mantido na residência do imperador Moctezuma II. Ali, centenas de homens cuidavam de uma variedade de animais vindos de todo o império pré-hispânico. O espaço impressionava os espanhóis na primeira passagem de Cortés pela cidade.

Entre aves, serpentes, onças-pintadas, pumas e lobos, havia também aviários com espécies não nativas da região, como águias-reais, harpias, araras e quetzais. O vivário contava com tanques de pedra vulcânica e recintos que permitiam observar os animais de perto. O objetivo, segundo estudiosos, era dual: compreender o cosmos e exibir poder.

Relatos históricos, incluindo a carta de Cortés, já descreviam o local com detalhes sobre o manejo das aves e a presença de centenas de cuidadores. Hoje, pesquisadores associam esse espaço a uma função ritual e de demonstração de autoridade, além de servir como elo entre mundo natural e mitologia mexica.

Nova pesquisa lança luz sobre o vivário

O arqueólogo Israel Elizalde Méndez coordena estudos que situam o vivário nos arredores do que hoje é o Palácio Nacional, próximo ao Templo Mayor. A investigação utiliza fontes como o Mapa de Nuremberg e o Códice Florentino para reconstruir o espaço e as funções.

Foram analisados restos de 28 exemplares encontrados em oferendas do Templo Mayor, incluindo águia-real, harpia, jaguar e lobo. As análises de paleopatologia ajudam a entender a longevidade desses animais no contexto de cativeiro.

A equipe aponta que o vivário tinha múltiplos objetivos: oferecer símbolos de poder, sustentar rituais e atender às necessidades de sacerdotes e guerreiros. As descobertas reforçam a ideia de que o espaço era mais complexo que um mero zoológico.

Conforme as pesquisas avanças, cresce o interesse em compreender como os mexicas reuniam fauna de diversas regiões do império. O estudo amplia o debate sobre a relação entre animais, religião e política na capital asteca.

O projeto Templo Mayor, iniciado em 1978, permanece ativo. Mesmo com o risco de escavar sob o Palácio Nacional e áreas adjacentes, os pesquisadores destacam que a destruição causada pelos espanhóis acabou preservando, acidentalmente, camadas históricas adicionais no subsolo da cidade.

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