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Ciência brasileira clona porco para transplantes de órgãos suínos em humanos

Brasil atinge marco com clonagem de porco para xenotransplante; nascimento serve de prova de conceito e aponta caminho para órgãos humanos no SUS

O porco clonado em incubadora na fazenda em Piracicaba (SP)
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  • Cientistas brasileiros anunciaram o nascimento de um porco clonado em Piracicaba, São Paulo, no dia 24 de março, como parte de um projeto para produzir animais geneticamente modificados para transplantes de órgãos em humanos.
  • A coordenação é do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco da Universidade de São Paulo, liderada por Ernesto Goulart, e o feito é o primeiro registro de clonagem dessa espécie na América Latina.
  • O objetivo inicial é implantar embriões geneticamente modificados para viabilizar xenotransplantes no futuro, apesar de o leitão recém-nascido ainda não possuir as modificações necessárias para captação de órgãos.
  • A clonagem de porcos é tecnicamente desafiadora; o grupo destaca que o porco é um dos animais mais difíceis de clonar, e os próximos passos envolvem reduzir a rejeição imune em humanos.
  • O projeto brasileiro visa reduzir dependência de órgãos estrangeiros e ampliar a capacidade do Sistema Único de Saúde, com participação de pesquisadores como Mayana Zatz, Jorge Kalil e outros no Centro de Ciência para Desenvolvimento em Xenotransplante.

A ciência brasileira alcançou um marco inarredável com o nascimento de um porco clonado, etapa essencial de um projeto que busca produzir animais geneticamente modificados para doação de órgãos a humanos. O nascimento ocorreu em 24 de março e o animal segue saudável em uma fazenda de Piracicaba (SP). A coordenação é do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. Segundo o grupo, é o primeiro registro dessa clonagem na América Latina.

A equipe explica que o feito é complexo: o porco é uma espécie entre as mais difíceis de clonar. Mesmo sem as modificações genéticas para uso em transplante, o nascimento funciona como prova de conceito. Agora, os pesquisadores trabalham para implantar embriões geneticamente modificados com foco no xenotransplante futuro.

O tema envolve avanços em edição gênica, com destaque para o CRISPR-Cas9, cujas aplicações ampliam possibilidades para reduzir a rejeição de órgãos suínos em humanos. Técnicos ressaltam que a barreira biológica sempre existiu e que novas ferramentas elevam as perspectivas do campo.

Rumo ao desenvolvimento nacional

Especialistas da USP defendem a necessidade de liderança brasileira em xenotransplante para evitar dependência de órgãos estrangeiros e reduzir custos do SUS. Sob essa visão, o Centro de Ciência para Desenvolvimento em Xenotransplante reuniu nomes como Jorge Kalil, Mayana Zatz e Ernesto Goulart. Eles destacam que o objetivo é construir tecnologia 100% nacional para uso público.

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