- O El Niño pode intensificar calor, umidade e eventos extremos, favorecendo poluentes atmosféricos como material particulado e ozônio, que irritam as vias respiratórias.
- A elevação da poluição e do ozônio aumenta a inflamação das vias aéreas e facilita a entrada de alérgenos, agravando alergias e crises de asma.
- Mudanças no regime de chuvas e da umidade podem prolongar a polinização e aumentar a concentração de pólen no ar, com potencial de piorar quadros alérgicos.
- Inundações elevam a proliferação de fungos e ácaros; o mofo em ambientes domésticos aumenta a exposição a esporos fúngicos, agravando rinite e asma.
- Eventos extremos associados ao El Niño, como ondas de calor, queimadas e secas, deterioram a qualidade do ar e elevam hospitalizações entre crianças e idosos, atuando como amplificador de riscos.
O El Niño pode intensificar problemas de saúde relacionados a alergias e asma neste ano. O fenômeno altera padrões de temperatura, umidade e chuvas, influenciando o ambiente em que as pessoas vivem e, consequentemente, os sintomas respiratórios.
O aumento de temperaturas e a maior frequência de eventos extremos favorecem a formação de poluentes atmosféricos, como material particulado e ozônio. Esses agentes inflamam as vias aéreas e elevam a permeabilidade da mucosa, facilitando a entrada de alérgenos.
Mudanças no regime de chuvas e de umidade elevam a concentração de aeroalérgenos. Pólen pode permanecer por mais tempo no ar, enquanto chuvas fortes quebram grãos de pólen em partículas menores que penetram mais profundamente.
Inundações frequentes durante o El Niño favorecem fungos e ácaros. Mofo em paredes, móveis e ventilação aumenta a exposição a esporos, elevando o risco de rinite e asma.
Além disso, eventos extremos como ondas de calor, queimadas e secas pioram a qualidade do ar e aumentam as exacerbações asmáticas, com maior necessidade de medicação de resgate e, em alguns casos, hospitalizações.
O El Niño funciona como um amplificador de riscos ambientais, intensificando poluição, aeroalérgenos, calor, umidade e desregulação da microbiota. Mudanças climáticas globais devem tornar esses efeitos mais frequentes.
Entender essa relação ajuda a antecipar riscos, orientar pacientes após chuvas intensas e enchentes e reforçar medidas de controle ambiental, como ventilação adequada, manejo de mofo e redução de umidade na residência.
Fátima Rodrigues Fernandes é pediatra e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia – ASBAI. Fonte de referência para orientações técnicas sobre o tema.
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