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Matéria escura pode vir de buracos negros remanescentes de um Universo anterior

Buracos negros remanescentes de um Universo anterior ao Big Bang poderiam explicar a matéria escura, sugerindo novas vias para a história cósmica

Simulação da “teia cósmica”, a vasta rede de fios e filamentos de matéria que se estende por todo o Universo: a densidade da matéria escura é representada pelas cores azul-púrpura (à esquerda), enquanto a densidade do gás é representada pelas cores laranja-vermelho (à direita). ESA
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  • Sugerem que buracos negros remanescentes de um Universo anterior ao Big Bang poderiam explicar a matéria escura.
  • O modelo propõe o “ricochete” cósmico: o Universo teria passado por contração, atingido densidade elevada e ricocheteado para iniciar a expansão, em vez de surgir de uma singularidade.
  • Existem duas vias para buracos negros remanescentes: sobrevivência direta de objetos da fase de colapso ou formação durante a contração, que colapsam após o ricochete.
  • Os buracos negros remanescentes poderiam compor uma fração significativa da matéria escura, oferecendo uma explicação alternativa à partícula ainda não descoberta.
  • Observações do JWST sobre objetos compactos extremamente vermelhos no Universo primitivo podem estar relacionadas a buracos negros remanescentes, apoiando a ideia de sementes maciças já existindo após o ricochete.

Pode haver buracos negros remanescentes de um Universo anterior ao Big Bang que expliquem a matéria escura, indicam cosmólogos em estudo recente. A pesquisa sugere que objetos muito antigos poderiam ter sobrevivido à transição entre contração e expansão, moldando estruturas cósmicas atuais. A proposta revisa conceitos sobre o início do Universo e a natureza da matéria que não interage com a luz.

O trabalho aponta duas vias pelas quais esses buracos negros remanescentes podem existir: sobrevivência direta de perturbações durante a fase de contração e formação de halos de matéria que colapsam em buracos negros após o ricochete. As hipóteses são apresentadas como parte de um cenário que substitui a singularidade do Big Bang por uma transição quântica.

Em vez de um início absoluto, o modelo propõe que o Universo tenha passado por uma fase de contração, atingindo densidade finita antes de ricochetear para a expansão. O estudo afirma que objetos maiores que 90 metros poderiam permanecer após a transição, preservando informações da época anterior.

Nesse quadro, a matéria escura poderia ser composta por buracos negros remanescentes, ao invés de uma partícula fundamental ainda não detectada. A ideia também visa explicar observações recentes do JWST, como a presença de objetos compactos muito massivos no Universo primitivo, que desafiam explicações da Cosmologia padrão.

Um cenário unificador

A proposta aponta que, sob o ricochete, a inflação surge de forma natural perto da transição, e a energia escura estaria ligada à estrutura global de um Universo finito. A existência de ondas gravitacionais antigas também aparece como potencial marcador dessa era pré-ricochete.

A relação com as observações do JWST é central. As “pequenas regiões vermelhas” observadas sugerem sementes de buracos negros muito maciços, que poderiam ter se formados imediatamente após o ricochete. A leitura atual do JWST é, portanto, citada como possível evidência de relíquias pré-ricochete.

Apesar das possibilidades, ainda faltam dados para confirmar o cenário. Pesquisas futuras devem explorar ondas gravitacionais de fundo, levantamentos de galáxias e medições da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, buscando sinais que sustentem ou contestem a ideia de um Universo que ricocheteou.

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