- Cientistas do Churchill Marine Observatory, no Canadá, liberaram 130 litros de diesel em uma piscina de água do Hudson Bay, adicionando microrganismos que comem óleo; inicialmente a resposta foi lenta, mas, depois de oito semanas, uma bactéria atingiu alta abundância alimentando-se do óleo.
- O estudo ressalta que tempo é essencial em derramamentos; esperar semanas não é viável para resposta rápida, especialmente em águas árticas.
- A frota sombra — navios não regulamentados que transportam petróleo — passou pela rota do norte da Rússia; em 2025, mais da metade dos cargueiros eram de petróleo e gás natural liquefeito, com 18 deles com baixa ou nenhuma classe de gelo.
- Técnicas de limpeza no Ártico são limitadas; métodos como dispersantes e queima in situ já foram explorados, mas apresentam riscos ambientais e podem acelerar a erosão do gelo ao emitir carbono.
- Apesar de milhões investidos e projetos como o JIP, não houve solução prática até hoje; debates sobre combustíveis com baixo teor de enxofre complicam a recuperação de óleo, reforçando a necessidade de novas abordagens.
Na Churchill Marine Observatory, no subártico do Canadá, pesquisadores iniciaram um experimento para testar uma possível solução de limpeza de óleo em águas árticas. Foram liberados 130 litros de diesel em uma piscina coberta de gelo, com água do Pacífico colocada de Hudson Bay, além de microrganismos que se alimentam de óleo. A ideia era observar se a técnica, usada previamente no derramamento de Deepwater Horizon, funcionaria em temperaturas mais baixas.
Os micróbios demoraram a reagir no início, com pouca mudança até a terceira semana. O microbiologista Eric Collins, que liderou o projeto, relata que, oito semanas depois, uma bactéria específica atingiu alta abundância no tanque, alimentando-se do óleo. Mesmo assim, o tempo necessário é curto em resposta a derramamentos.
Risco e contexto regional
Dados recentes apontam que mais de cem navios da chamada “shadow fleet” navegaram pela rota norte da Rússia no ano passado, transportando óleo sob sanções internacionais. Em 2025, mais da metade desses navios eram petroleiros ou navios de gás natural liquefeito, muitos com pouca classe de gelo, o que aumenta o risco de acidentes em águas frias.
Segundo especialistas, esse quadro eleva a probabilidade de desastres ecológicos em um ecossistema extremamente sensível. O gelo marinho dificulta o uso de equipamentos de contenção e de booms, e o petróleo tende a endurecer e observar-se formas mais viscosas, dificultando a limpeza.
Limitações das abordagens atuais
As pesquisas sobre resposta a derramamentos no Ártico, financiadas ao longo de 15 anos, ainda não apresentaram soluções substanciais novas. Programas como o Joint Industry Programme (JIP) já indicaram que melhorias significativas na recuperação mecânica não foram facilmente alcançadas com novos equipamentos.
Técnicas como dispersantes químicos e queima in situ foram discutidas como alternativas, com ressalvas. Dispersantes podem prejudicar organismos na coluna de água, especialmente em épocas de alta produção primária. A queima gera carbono negro, que pode acelerar o derretimento do gelo.
Perspectivas tecnológicas
Além das tentativas com micróbios, há esforços para entender como mudanças no combustível afetam a limpeza. A norma internacional de 2020 sobre o carbono sulfuroso reduziu emissões, mas levou a combustíveis mais difíceis de limpar. Navios ainda utilizam combustíveis diversos, incluindo opções mais pesadas, aumentando a complexidade da resposta.
Pesquisadores enfatizam que, apesar de investimentos significativos, poucas soluções novas chegaram ao mercado. A obra de Collins, financiada pelo governo canadense, faz parte de um esforço maior para ampliar a resiliência oceânica em Churchill, que pode vir a ganhar importância logística no Ártico.
Olhar institucional e cenário futuro
Especialistas destacam a necessidade de manter vigilância sobre a frota marítima que opera no Ártico e a evolução de infraestruturas na região. A ideia de reforçar a posição portuária de Churchill surge como possibilidade de conectividade com o Atlântico Norte, com implicações para pesquisas e resposta a emergências.
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