- Tranças de cocaína e seu principal metabólito podem alterar o comportamento de salmões-do-atlântico expostos a níveis ambientais, segundo estudo.
- Salmones reprodutores de dois anos, com implantes liberando cocaína ou its metabolite, foram soltos no lago Vättern, na Suécia, e monitorados por dois meses.
- Os peixes expostos a cocaína ou ao metabólito nadaram menos no início, mas, ao final, tornaram-se mais ativos e percorreram mais espaço.
- No último período, peixes expostos à cocaína nadaram cerca de 5 quilômetros a mais que os não expostos; os expostos ao metabólito percorreram quase 14 quilômetros a mais.
- O metabólito, presente em concentrações maiores na natureza, teve efeito mais amplo, sugerindo que avaliações de risco ambientais devem incluir esses compostos; melhorias no tratamento de água possam reduzir riscos a fauna aquática.
O novo estudo alerta para impactos de poluentes de uso comum, como cocaína e seu principal metabólito, sobre o comportamento de salmões. Animais expostos em laboratório apresentaram mudanças no deslocamento, sugerindo efeitos no nível cerebral que podem alterar alimentação e vulnerabilidade a predadores. A pesquisa envolveu salmões do Atlântico criados em viveiro.
Os peixes foram expostos a níveis ambientalmente relevantes das substâncias e monitorados por dois meses. Os resultados mostraram que, ao final do experimento, os peixes expostos mantiveram atividade maior em parte do lago e percorreram distâncias maiores que o grupo sem exposição. A principal diferença ocorreu no metabolismo da droga, que gerou deslocamentos ainda maiores.
Os pesquisadores ressaltam que os impactos na vida selvagem dependem de muitos fatores, como energia gasta e risco de ataques de predadores. O estudo aponta que efeitos podem aparecer mesmo com concentrações encontradas em ambientes aquáticos próximos a emissões de esgoto, incluindo o descarte inadequado de águas residuais.
Resultados do estudo
A pesquisa avaliou salmões de dois anos de idade, reconstituídos em laboratório, com implantes de liberação controlada de cocaína ou de benzoylecgonina, o principal metabólito. Um terceiro grupo recebeu implantes sem droga para servir como controle. Os animais foram marcados com transmissores acústicos e soltos no canto sudoeste do Lago Vättern, na Suécia, para acompanhamento por sensores ao redor do lago.
As análises indicaram que, nos últimos 15 dias, peixes expostos nadaram até 5 km a mais que o grupo de controle com cocaína, e quase 14 km a mais com o metabólito. Além disso, houve maior deslocamento para o norte. O metabólito mostrou efeito mais intenso, com aumento de cerca de 12 km em relação aos peixes não expostos.
Profissionais destacam que esses resultados reforçam a necessidade de considerar metabólitos e derivados em avaliações de risco ambiental. A relevância prática do estudo aponta que, ao afastar certos compostos de vias de tratamento, pode haver redução de riscos para a fauna aquática.
Implicações para políticas de águas residuais
Especialistas sugerem que melhorias no manejo de águas residuais, com redução de descargas de esgoto cru, poderiam minimizar riscos a ecossistemas. Embora muitos fármacos sejam removidos por tratamentos, as fontes de poluição incluem esgoto cru decorrente de transbordamentos e ligações inadequadas em residências.
Os autores defendem a incorporação de metabolitos em avaliações de impacto ambiental. A coleta de dados sobre contaminantes farmacêuticos busca entender melhor os trade-offs entre energia despendida pelos animais e sua sobrevivência em ambientes com poluição inorgânica.
Estudos anteriores já indicaram que drogas comuns representam risco à biodiversidade e destacam a necessidade de medicamentos mais ecológicos. O acompanhamento contínuo de poluentes em ecossistemas aquáticos permanece essencial para orientar políticas públicas.
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