- O estudo europeu acompanhou 10.217 pessoas com 65 a 94 anos, em doze países, por até sete anos.
- Quem relatou altos níveis de solidão teve desempenho de memória inferior já no início, mas a taxa de declínio foi semelhante à de quem não se sentia solitário.
- A conclusão é que a solidão afeta o nível inicial da memória, e não a velocidade de deterioração cognitiva ao longo do tempo.
- O grupo mais solitário era, em média, mais velho, predominante em mulheres, e apresentava maior incidência de diabetes, hipertensão e depressão; a prática de atividade física pelo menos uma vez por mês esteve associada a melhores níveis iniciais de memória.
- Os autores destacam implicações para saúde pública, sugerindo que a triagem de solidão passe a integrar exames em idosos, já que a relação com a memória é relevante para prevenção e políticas de saúde.
A solidão afeta a memória de idosos, mas não acelera o declínio cognitivo ao longo do tempo, segundo estudo europeu que acompanhou mais de 10 mil pessoas por até sete anos. A pesquisa aponta menor desempenho inicial em testes de memória entre os mais solitários, sem diferença na velocidade de deterioração.
O estudo analisou 10.217 indivíduos com 65 a 94 anos, em 12 países, com dados do SHARE. Os participantes relataram níveis variados de solidão e realizaram testes de lembrança imediata e tardia desde o começo do acompanhamento.
Resultados indicam que quem relatou alta solidão apresentou pontuações mais baixas já no início, enquanto a taxa de declínio foi similar entre grupos com baixa, média e alta solidão. A solidão parece impactar o nível basal, não a trajetória de perda.
Diferença entre ponto de partida e trajetória
Especialistas discutem se a solidão acelera o envelhecimento cerebral ou apenas reduz o desempenho em momentos específicos. Os dados indicam a segunda hipótese: o efeito ocorre na linha de base, não no ritmo de queda ao longo do tempo.
Os pesquisadores ressaltam que a solidão costuma estar ligada a menor interação social, maior incidência de depressão e pior saúde geral, fatores que podem influenciar o desempenho cognitivo. O estudo também aponta relação com maior idade, sexo feminino e maior prevalência de doenças como diabetes e hipertensão.
Além disso, atividades físicas aparecem como amortecedor cognitivo. Pessoas que se exercitam ao menos uma vez por mês apresentaram melhor memória inicial, sem alteração na velocidade de declínio.
Relevância para saúde pública
O tema ganha peso diante do envelhecimento populacional. Projeções apontam que até 2050 uma em cada seis pessoas terá mais de 65 anos, o que torna essencial entender fatores que afetam a cognição.
A solidão já é reconhecida como problema de saúde pública, com impactos na longevidade e na saúde mental. O estudo reforça a necessidade de considerar a solidão nas avaliações cognitivas de idosos e sugere incluir triagens em exames clínicos voltados a esse grupo.
Próximos passos
Apesar da robustez da amostra, há limitações. Os autores destacam que a solidão pode variar ao longo da vida e com mudanças ambientais, não sendo fixa. O trabalho ajuda a refinar a compreensão sobre o tema, sugerindo que a solidão afeta o ponto de partida da função cognitiva, não a progressão direta de doenças neurodegenerativas.
Em síntese, reduzir a solidão pode elevar o patamar inicial da memória em idosos, contribuindo para intervenções de prevenção e políticas de saúde voltadas ao envelhecimento ativo.
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