- O Brasil não possui foguete com tecnologia 100% nacional capaz de chegar à órbita e aposta no setor privado e em parcerias para avançar na exploração espacial.
- A Agência Espacial Brasileira tem orçamento em queda histórica, com previsão de R$ 139 milhões para este ano.
- O Microlançador Brasileiro (MLBR) é um foguete de 12 metros, com três estágios, capaz de levar até 40 kg e lançamento a 450 quilômetros de altitude; contrato de R$ 189 milhões.
- O Brasil é signatário do programa Artemis da Nasa desde 2021 e atua em cooperação com a China, além de desenvolver projetos como agricultura espacial (space farming).
- A falta de recursos e a fuga de talentos para os EUA são desafios; a comparação com a SpaceX ilustra o desequilíbrio financeiro entre Brasil e grandes agências espaciais.
Desde o início da exploração espacial, o Brasil busca participar do espaço com recursos próprios, uma trajetória marcada por avanços, traços de crise e aposta no setor privado. O governo mantém a Agência Espacial Brasileira (AEB) como principal articuladora, buscando parcerias internacionais e estimular a indústria nacional. O objetivo é chegar a orbitais por meios diferentes dos foguetes inteiros criados no próprio país.
Segundo o diretor de Governança do Setor Espacial da AEB, o caminho envolve persistência diante de custos elevados e necessidade de recursos estáveis para mostrar resultados. O orçamento da AEB tem passado por quedas ao longo dos anos, com pico entre 2004 e 2006 e valores menores em 2022. Para este ano, estima-se um investimento de 139 milhões de reais.
Ao lado das atividades institucionais, o Brasil aposta no espaço privado. O Microlançador Brasileiro (MLBR), projetado para levar até 40 kg a uma órbita de 450 km, envolve cinco empresas nacionais lideradas pela Cenic Engenharia, com contrato de 189 milhões de reais. A iniciativa visa atender à demanda global por lançamentos de pequenos satélites.
Espaço privado
O MLBR tem como meta inserir o Brasil no mercado internacional de lançamento de satélites de pequeno porte, com etapas de fabricação em São José dos Campos (SP). A capacidade prevista é de 40 kg em órbita a 450 quilômetros, com motor movido a propelente sólido em três estágios.
A participação pública destaca a importância de parcerias com outros países, como a cooperação com a China que auxilia o desenvolvimento de tecnologias utilizadas pelo Inpe para monitoramento ambiental. O acordo também facilita a produção de estatísticas de desmatamento e queimadas na Amazônia e no Cerrado.
Parcerias internacionais e agenda Artemis
O Brasil participa de programas internacionais, com destaque para o Artemis da Nasa. O país integra a agenda desde 2021, incluindo a Artemis 2, a primeira missão tripulada à Lua neste século. A colaboração busca transferir tecnologia, incentivar pesquisas e ampliar a presença brasileira no espaço.
Outra linha de atuação envolve agricultura espacial, com estudo da Embrapa para produzir alimentos para astronautas. O space farming visa cultivo de batata-doce e grão-de-bico em ambiente controlado, com uso reduzido de água e energia por meio de sensores e automação.
Retenção de talentos e desafios
Atração e retenção de cientistas brasileiros no exterior, como na Nasa, é apontada como desafio. Nomes como Rosaly Lopes e Nilton Rennó já atuam em instituições americanas, abrindo espaço para cooperações, porém dificultando o desenvolvimento local. A AEB ressalta a necessidade de recursos estáveis para evitar contínua fuga de cérebros.
O diretor da AEB destaca que, para manter o ritmo, é essencial planejar com regularidade propostas com orçamento previsível. O setor espacial brasileiro precisa equilibrar investimentos públicos e participação privada para ampliar a atuação no novo espaço.
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