- Montadoras ocidentais investem em veículos elétricos com extensor de autonomia (REEVs), que usam um pequeno motor apenas como gerador para recarregar a bateria, para ampliar distância e competir com rivais chineses.
- Na Europa, a Leapmotor é a única fabricante que vende REEVs; Renault, Volkswagen e BMW avaliando oferecer essa tecnologia a motoristas que ainda não migraram totalmente para elétricos.
- Renault anunciou uma plataforma que oferecerá até 750 km com bateria e 1.400 km com extensor de autonomia; outros modelos de Stellantis e grandes marcas também discutem lançamentos nesse sentido.
- A adoção de REEVs depende de educação do consumidor sobre a tecnologia, custos de baterias menores e a combinação de motor elétrico com motor a combustão.
- Questões geopolíticas e tarifas da União Europeia sobre veículos chineses influenciam a estratégia, que busca flexibilidade diante de incertezas políticas e variações de preço da gasolina.
O que há de novo no setor automotivo: montadoras ocidentais apostam em veículos elétricos com extensor de autonomia, conhecidos como REEVs. A tecnologia permite que carros elétricos percorram distâncias maiores com um motor a combustão que funciona apenas como gerador para recarregar a bateria. A estratégia busca conciliar demanda por maior autonomia com a manutenção das cadeias de suprimento europeias.
A ideia é oferecer uma transição mais suave para motoristas que ainda não estão prontos para modelos 100% elétricos. A tecnologia já existe na Europa por meio da Leapmotor, empresa chinesa, que comercializa esse tipo de veículo. Volkswagen, Renault e BMW estudam a opção para ampliar o leque de oferta.
A Renault anunciou o desenvolvimento de uma plataforma de médio porte com baterias menores e alcance altíssimo, incluindo 750 km para versão 100% elétrica e 1.400 km com extensor. A fabricante afirmou que a opção pode atrair parte dos consumidores em direção aos elétricos até 2030.
Executivos da indústria veem o extensor como uma tendência clara. Para Antonio Filosa, presidente da Stellantis, há planos de lançar versões com extensor em modelos como a Ram 1500 Ramcharger e o Jeep Grand Wagoneer neste ano. O objetivo é manter a atratividade de motores convencionais.
O cenário geopolítico influencia a avaliação. Tarifas europeias sobre veículos elétricos fabricados na China tornam os REEVs mais competitivos, especialmente para quem busca flexibilidade diante de incertezas regulatórias. Ao mesmo tempo, a estratégia pode ser vista como forma de contornar possíveis mudanças nas regras de emissões.
Analistas destacam que os REEVs costumam vir com baterias menores, o que reduz custos e permite espaço para um tanque de combustível. Em muitos casos, o conjunto combina condução elétrica para uso cotidiano com a possibilidade de recarga por meio de um motor a combustão, preservando a experiência de condução típica de veículos com motor de combustão.
Ainda segundo especialistas, a adoção pelos consumidores depende de quanto tempo levará para que a opção de transição encontre espaço suficiente no mercado. A participação dos REEVs no mercado global permanece baixa, com variação regional significativa.
Dúvidas de longo prazo também são levantadas. Críticos alertam que a tecnologia pode ser uma solução intermediária se não substituir plenamente os carros elétricos, ou pode se tornar obsoleta conforme avanços nas baterias. A indústria segue monitorando o ritmo de adoção pelo consumidor e a evolução de custos.
Fonte: informações de veículos elétricos com extensor de autonomia, perspectivas de fabricantes europeus e análises de mercado indicam que a tecnologia busca equilíbrio entre autonomia, custo e robustez da cadeia de suprimentos, num momento de mudança regulatória e de preços de energia.
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