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Marcos Jank aponta nova fronteira do agro com tecnologia, estratégia e valor

Inteligência artificial passa a ser o eixo central do agro brasileiro, impulsionando decisões baseadas em dados e elevando a sensibilidade a riscos globais

Marcos Jank: “O Brasil desenvolveu um dos sistemas mais competitivos de agricultura tropical do mundo”
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  • A inteligência artificial vai ser, de longe, a tecnologia mais importante para o agro na próxima década, segundo Marcos Jank, professor e especialista em agronegócio.
  • O Brasil consolidou um modelo de agricultura tropical competitivo, integrando soja, milho, algodão, carne, etanol e celulose, com alta produtividade e eficiência ambiental.
  • A virada é digital: IA passa a orientar operação, produção, comercialização e gestão de preços, em conjunto com biotecnologia, agricultura de precisão e drones.
  • A busca por menos insumos aumenta a eficiência, com maior uso de soluções biológicas, reaproveitamento de resíduos como vinhaça para fertilizante e geração de energia, visando economia circular.
  • Desafios geopolíticos e logísticos persistem: dependência de insumos ocidentais, influência da China como principal parceiro, vulnerabilidade de cadeias e distâncias logísticas, com participação de Jank no São Paulo Innovation Week nos dias 13 a 15 de maio.

Marcos Jank defende que a nova fronteira do agro brasileiro é definida por tecnologia, estratégia e valor. Em entrevista à Forbes Agro, ele aponta a IA como eixo central para a próxima década, impactando operação, produção, comercialização e gestão de preços. O diagnóstico vem de um especialista reconhecido no agronegócio global.

Jank, engenheiro agrônomo, mestre em política agrícola e doutor em economia empresarial, atua como professor sênior do Insper, coordenando o programa Insper Agro Global. Ele vê a transformação como mudança de ciclo, com dados orientando decisões e maior exposição a fluxos geopolíticos e insumos.

A visão é de que o Brasil construiu uma agricultura tropical competitiva ao longo de décadas, combinando ciência pública, inovação e expansão privada. Segundo o especialista, não há outro país com a dimensão do Brasil que reúna esse conjunto de tecnologias e inovações.

Essa singularidade se expressa na capacidade de produzir em ambientes tropicais com produtividade elevada e melhoria ambiental continuada. A integração de soja, milho, algodão, carne, etanol e celulose é citada como parte essencial desse modelo.

A virada digital do campo é marcada pela adoção de IA, biotecnologia, agricultura de precisão e drones. A eficiência passa a incluir a dimensão analítica, com previsões de cenários e gestão de risco mais refinada.

Na prática, a IA é vista como fator que pode influenciar desde a operação até a proteção de preços, elevando o nível de decisão por meio de dados de clima, mercado e produção. A tecnologia acompanha a evolução da biotecnologia.

Jank também destaca a necessidade de reduzir insumos, com técnicas que permitem produzir mais com menos. Soluções biológicas ganham espaço e se soma ao uso responsável de químicos, com aplicações mais localizadas.

O uso de rocha fosfática e resíduos orgânicos aparece como resposta à pressão por fertilizantes, enquanto resíduos como a vinhaça ganham utilidade como fertilizante e fonte de energia. A economia circular ganha fundamentação econômica.

Geopolítica é outro pilar da análise. China responde por cerca de 35% das exportações brasileiras e é principal parceira, ao passo que tecnologias dominadas por occidente ainda predomínio. Conflitos internacionais afetam insumos e custos.

A percepção é de que a logística continua entre os principais gargalos, com o interior do país distante dos portos e dependência do transporte rodoviário. A armazenagem também limita estratégias de comercialização.

Mesmo com ganhos, o desafio de agregar valor persiste. O Brasil representa cerca de 4% da produção global e 9% do comércio agroindustrial, segundo Jank. O potencial está em diferenciar produtos e ampliar a presença no exterior.

Os caminhos apontados passam pela capacidade de distribuição, posicionamento de produtos e maior incorporação de valor agregado na pauta exportadora. O conjunto de mudanças sugere uma equação complexa para a competitividade brasileira.

O SPIW, festival de inovação de São Paulo, reúne Jank nos dias 13 a 15 de maio, com debates que devem aprofundar a discussão sobre a nova fronteira tecnológica do agro. O evento ocorre na Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, em São Paulo.

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