- Terras raras são um grupo de 17 minerais essenciais para chips de IA, computação quântica e robótica; entre eles, o neodímio é destaque para ímãs poderosos.
- A China detém grande parte da produção global (cerca de 70%) e possui boa parte das reservas (aproximadamente 40% a 50%), o que amplia a dependência externa.
- A demanda mundial tende a crescer bastante: a IEA estima aumento significativo até 2040, com carros elétricos e turbinas eólicas consumindo grandes volumes desses metais.
- Países como Estados Unidos, União Europeia e Japão já buscaram reduzir a dependência chinesa por meio de acordos e ações na OMC, além de criar parcerias estratégicas.
- Alternativas para reduzir riscos incluem diversificar cadeias de suprimento, cooperação entre blocos econômicos e maior reciclagem de terras raras, ainda com participação residual na demanda global.
As terras raras são 17 minerais quimicamente semelhantes, essenciais para chips de IA, computação quântica e robótica. Seu papel cresce em uso tecnológico e na geopolítica mundial, apesar de estarem dispersas na crosta e serem altamente reativas.
Segundo o USGS (Estados Unidos), alguns desses elementos superam em concentração o cobre na crosta. O cério fica entre 60 e 70 ppm, o lantânio entre 30 e 35 ppm, o que explica seu uso amplo, apesar da dificuldade de exploração.
A maior parte dos 17 elementos pertence à família dos lantanídeos. O neodímio, por exemplo, é crucial para ímãs permanentes extremamente potentes usados em dispositivos eletrônicos e motores. O Brasil tem participação relevante na produção de nióbio, porém pouco no segmento de terras raras.
Contexto global
A China domina a produção e o refino de terras raras, respondendo por cerca de 70% das reservas mundiais e 90% do refino. Essa concentração sustenta cadeias de suprimento estratégicas para indústrias de alto desempenho. Países ocidentais buscam reduzir dependência.
Em termos históricos, a China impôs limites de exportação em 2010 e 2012, provocando reação internacional. Estados Unidos, UE e Japão contestaram cotas na OMC, levando à reavaliação de políticas e à diversificação de fornecedores.
Impactos tecnológicos e industriais
Elementos como neodímio, disprósio e térbio fortalecem ímãs usados em motores, alto-falantes e sensores. Litio, cobalto e grafite aparecem em baterias e armazenagem de energia. O conjunto subsidia avanços em IA, robótica e mobilidade elétrica.
Relatórios da IEA indicam que a demanda global por terras raras deve quadruplicar até 2040 para cumprir metas de energia limpa. A transição requer planejamento industrial e ajustes em cadeias de suprimento, com foco em novos elos produtivos.
Brasil e geopolítica
No Brasil, a CBMM é destaque na produção de nióbio, utilizado em semicondutores e siderurgia. A atuação empresarial observa demanda por mobilidade elétrica e data centers, sinalizando potencial de integração com mercados internacionais.
A partir de 2020, EUA dependiam de 70% de importações de terras raras da China. Casos de uso militar e aeroespacial mostram a importância estratégica dessas cadeias, que motivam acordos e parcerias internacionais.
Caminhos futuros e debate
Especialistas gravam que reduzir dependência passa por cooperação entre blocos e também por alternativas como reciclagem de terras raras. A gestão de resíduos e a mineração responsável aparecem como temas centrais para a sustentabilidade do setor.
Executivos e analistas apontam necessidade de políticas públicas que incentivem inovação, pesquisa e capacitação. Em meio a disputas comerciais, o equilíbrio entre soberania nacional e cooperação internacional permanece em debate.
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