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Estudo brasileiro associa hábitos alimentares a riscos graves após os 60 anos

Estudo com 8.336 brasileiros com 60 anos ou mais associa adicionar sal à mesa a padrões alimentares menos saudáveis e maior risco de doenças crônicas

Saleiro ao alcance facilita o excesso de sódio. (Foto: Towfiqu Barbhuiya via Canva)
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  • Estudo publicado na Frontiers in Public Health, em abril de 2026, analisou 8.336 brasileiros com 60 anos ou mais da Pesquisa Nacional de Alimentação de 2017 a 2018 para entender a relação entre o hábito de adicionar sal à comida à mesa e padrões de saúde.
  • Cerca de 10,9% dos idosos têm esse hábito, que está ligado a padrões alimentares menos saudáveis.
  • Entre os homens, fatores-chave foram não seguir dieta para hipertensão e morar sozinho, ambos aumentando a chance de adicionar sal à mesa.
  • Entre as mulheres, o comportamento se associou a baixo consumo de frutas e vegetais, alta ingestão de ultraprocessados, não adesão a dietas para controle da pressão arterial e moradia em áreas urbanas.
  • Recomendações para reduzir o consumo de sal incluem não deixar o saleiro à mesa, priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados e usar ervas e ingredientes naturais para temperar.

Um estudo brasileiro associou o hábito de adicionar sal à comida à mesa com padrões alimentares pouco saudáveis e a fatores de risco entre idosos. A pesquisa, publicada na Frontiers in Public Health, foi conduzida por Brito et al. e analisou dados de 8.336 brasileiros com ≥60 anos, entre 2017 e 2018.

Ao todo, 10,9% dos idosos relataram usar sal na refeição pronta na mesa. O hábito não ocorreu isoladamente: ele se relaciona com um conjunto de comportamentos que podem influenciar a saúde ao longo do tempo.

Diferenças entre homens e mulheres

Entre os homens, o uso de sal à mesa foi mais frequente. Dois fatores se destacaram nessa população: não seguir dieta para hipertensão e morar sozinho, que aumentaram a probabilidade desse hábito.

Entre as mulheres, a relação com o hábito foi mais complexa e associada a diversos fatores. Baixo consumo de frutas e hortaliças, alta ingestão de ultraprocessados, não adesão a dietas para controle da pressão arterial e residência urbana foram citados como associados.

Relação com a dieta e o paladar

O estudo destaca que o consumo de ultraprocessados tende a aumentar a preferência por sabores salgados. A exposição contínua ao sódio pode reduzir a sensibilidade ao sal, elevando a necessidade de adição para atingir o sabor desejado.

Dietas pobres em alimentos naturais fortalecem esse comportamento, pois frutas e vegetais contribuem naturalmente para o sabor, reduzindo a demanda por sal adicional.

Impactos para a saúde pública

O sódio em excesso é um tema global. Dados citados pela pesquisa associam altas taxas de ingestão de sal a hipertensão, doenças cardiovasculares, declínio cognitivo e doenças renais.

Entre idosos, esses efeitos podem comprometer mobilidade, autonomia e qualidade de vida, reforçando a necessidade de atenção a hábitos alimentares no envelhecimento.

Caminhos para mudança

O estudo, ainda observacional, sugere estratégias simples para reduzir o consumo de sal. Dicas incluem retirar o saleiro à mesa, priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados e usar ervas e especiarias para temperar.

Essas medidas podem sinalizar um conjunto de escolhas mais alinhadas com a saúde de longo prazo, especialmente para a população idosa.

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