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Estudo mostra arrasto de fundo captura 3.000 peixes, espécies ameaçadas

Estudo revela que arrastos no fundo capturam quase três mil espécies de peixes marinhos, com 237 ameaçadas e 23% sem avaliação de status

A critically endangered giant guitarfish, sometimes caught by bottom trawls. Image courtesy of Sarah Foster.
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  • Estudo aponta que redes de arrasto no fundo capturam cerca de 3.000 espécies de peixes marinhos, com o número real possivelmente ao menos o dobro, segundo a análise de documentos de captura.
  • Houve viés de tamanho: peixes maiores costumam ser mais documentados, enquanto os menores aparecem em categorias como “peixes mistos” ou “peixes de descarte”.
  • Do total de espécies listadas, cerca de 1.700 são consideradas de menor preocupação na IUCN; 237 estão ameaçadas, e aproximadamente 23% são classificadas como dados insuficientes ou não avaliadas.
  • A pesquisadora Sarah Foster diz que ainda não havia uma linha de base clara sobre o que é capturado pelo arrasto de fundo, defendendo métodos de pesca mais seletivos e restrições de local e tempo de atividade.
  • Especialistas independentes apontam que o impacto da pesca de arrasto na biodiversidade aparece em várias regiões, não apenas em hotspots, e não se restringe a um único lugar.

Um estudo recente aponta que as redes de arrasto de fundo capturam cerca de 3.000 espécies de peixes marinhos, incluindo espécies ameaçadas. A estimativa resulta da análise de registros de capturas de arrasto realizadas em diferentes regiões do mundo.

As coordenadoras da pesquisa são Sarah Foster, da Project Seahorse (Universidade de British Columbia, Canadá), e uma equipe internacional. A proposta foi entender, de forma baseada em dados, o que de fato é capturado por essas redes.

Os pesquisadores revisaram documentos de pesca que descrevem capturas de arrasto no fundo do mar e registraram quase 3.000 espécies de peixes marinhos. Os autores ainda destacam que o número real pode ser o dobro.

Observa-se um viés de tamanho: peixes maiores costumam aparecer com mais frequência nos registros, enquanto espécies menores aparecem como “misturas” ou categorizadas como “peixes diversos”.

Segundo a equipe, não compreender plenamente o que é capturado dificulta o manejo sustentável das frotas. Além disso, muitas espécies não recebem o reconhecimento adequado de seu papel ecológico e econômico.

Entre as espécies identificadas, cerca de 1.700 estão listadas como de menor preocupação pela IUCN. Aproximadamente 237 são consideradas ameaçadas, demonstrando impactos significativos sobre a biodiversidade.

O estudo aponta ainda que aproximadamente 23% das espécies são catalogadas como dados insuficientes ou sequer avaliadas, sugerindo falta de informações para avaliar riscos à vida marinha.

Foster afirma que os resultados apoiam a adoção de métodos de pesca mais seletivos e a imposição de restrições de local e tempo para o arrasto de fundo.

Ray Hilborn, especialista em pesca da Universidade de Washington, não integrou o estudo, mas comentou que o número de espécies não surpreende. Ele, no entanto, ressaltou que a análise carece de contexto espacial suficiente para medir impactos globais de forma adequada.

Para Foster, a presença de espécies de conservação em capturas ocorreu em todas as regiões estudadas, exceto a Antártida. Esse resultado indica que o efeito sobre a biodiversidade não se restringe a um único hotspot de arrasto.

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