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Estudo revela efeitos da cocaína em salmões

Estudo mostra que salmões expostos ao metabolito da cocaína nadam até 1,9 vezes mais longe e se dispersam cerca de 20 milhas no ambiente natural

Atlantic salmon swimming in a river
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  • Estudo publicado na Current Biology analisou salmões do Atlântico expostos a cocaína em Lake Vättern, na Suécia.
  • 105 alevinos foram divididos em três grupos: grupo controle, exposição à cocaína e exposição ao metabólito benzoylecgonina.
  • Dispositivos foram implantados para liberar lentamente as substâncias ao longo de dois meses.
  • Em comparação ao grupo controle, os peixes expostos ao metabólito nadaram até 1,9 vezes mais, alcançando cerca de 20 milhas do ponto de soltura.
  • Os resultados indicam que os efeitos da contaminação por cocaína ocorrem na natureza; próximos passos incluem avaliar a extensão do impacto, espécies em maior risco e efeitos na sobrevivência e reprodução.

O estudo, publicado na revista Current Biology, avaliou o efeito da cocaína e de seus metabolites no comportamento de salmão do Atlântico juvenil. A pesquisa, realizada ao longo de dois meses, envolveu 105 peixes soltos em Lake Vättern, na Suécia. O objetivo foi verificar se a poluição por cocaína, cada vez mais detectada em rios e lagos, altera a locomoção dos animais em ambiente natural.

A metodologia dividiu os peixes em três grupos: controle sem exposição, grupo exposto à cocaína e grupo exposto ao benzoylecgonina, principal metabólito da droga presente na água. Dispositivos implantados liberaram lentamente as substâncias. Pequenas tags permitiram medir trajetórias e distâncias percorridas após a liberação.

Resultados mostram que, em relação ao grupo de controle, os salmonídeos expostos ao benzoylecgonina chegaram a percorrer até 1,9 vezes mais, dispersando-se a cerca de 20 milhas da área de liberação ao final do estudo. O efeito foi mais pronunciado no grupo exposto ao metabolito, não apenas à cocaína.

Este trabalho confirma, pela primeira vez em ambiente selvagem, que a contaminação por cocaína pode influenciar o comportamento de peixes, em condições mais complexas do que as de laboratório. Pesquisadores destacam a necessidade de ampliar a avaliação para mapear a extensão desses efeitos e identificar espécies em maior risco.

Próximos passos incluem investigar a disseminação dessa influência entre diferentes espécies, além de verificar se mudanças de comportamento podem impactar sobrevivência e reprodução. O estudo reforça a preocupação com a contribuição de resíduos urbanos para a poluição aquática.

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