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Novo estudo revela efeitos da cocaína em salmões

Poluição por cocaína aumenta distâncias percorridas por salmões; o metabólito benzoilecgonina tem efeito mais forte, indicando impactos ecológicos

Salmões selvagens do Atlântico (Jörgen Wiklund/Divulgação)
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  • Estudo publicado na Current Biology analisou 105 salmões selvagens do Atlântico no lago Vättern, Suécia, expostos à cocaína e ao metabólito benzoilecgonina.
  • Os peixes foram separados em três grupos: controle, cocaína e benzoilecgonina, com monitoramento de seus deslocamentos.
  • A benzoilecgonina deixou os peixes percorrerem 1,9 vezes mais distância em uma semana; o metabólito permitiu que eles viajassem até 12,3 quilômetros a mais.
  • Os pesquisadores destacam que a poluição por drogas nos rios pode alterar padrões de movimento, com impactos potenciais em ecossistemas e biodiversidade.
  • O estudo reforça a necessidade de melhorar o tratamento de esgoto e o monitoramento da poluição, já que drogas e seus metabólitos têm sido cada vez mais detectados em cursos d’água.

O estudo, publicado na Current Biology, analisa como a cocaína e seu metabólito afetam o movimento de salmões selvagens no ambiente natural. 105 salmões do Atlântico foram capturados no lago sueco Vättern e monitorados após a exposição a substâncias químicas.

A pesquisa é fruto de colaboração entre a Universidade Griffith, na Austrália, e a Universidade Sueca de Ciências Agrícolas. Os cientistas separaram os peixes em três grupos: controle, cocaína e benzoilecgonina.

Os resultados indicam que, em uma semana, a benzoilecgonina aumentou o deslocamento dos peixes em 1,9 vez em relação ao grupo não exposto. A cocaína elevou a distância percorrida em até 12,3 quilômetros.

Poluição aquática

A cocaína e seus metabólitos são cada vez mais encontrados em rios e lagos, principalmente devido ao esgoto não totalmente capaz de remover essas substâncias. O estudo oferece evidência inicial dos efeitos no habitat natural.

Segundo os autores, concentrações crescentes de drogas em sistemas hídricos podem afetar a dinâmica das populações e a estrutura dos ecossistemas, em um contexto de poluição crescente.

Contaminação dos peixes

Os pesquisadores destacam que a benzoilecgonina teve efeito mais intenso no movimento dos peixes do que a cocaína. A descoberta pode orientar futuras avaliações de risco, que hoje priorizam o composto original.

Não há indicação de risco direto aos consumidores humanos, já que os peixes estudados estavam dentro dos limites legais de pesca. Pesquisas futuras irão mapear a disseminação dos efeitos entre espécies e impactos na sobrevivência e reprodução.

Os autores ressaltam a necessidade de melhoria no tratamento de esgoto e no monitoramento de poluentes farmacêuticos em rios e lagos, como parte de ações ambientais.

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