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O tabu da chegada do fim na história da medicina

Estudo sul-coreano usa teste do reflexo corneano para prever morte iminente em pacientes terminais; ausência do reflexo eleva mortalidade em 24 horas a 70,7%

Drauzio Varella
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  • Prever quanto tempo alguém viverá continua sendo difícil, mesmo em doenças avançadas, segundo especialistas.
  • Pesquisadores sul-coreanos desenvolveram um teste simples para ajudar a prever morte iminente: avaliar o reflexo corneano em pacientes no fim da life.
  • O estudo, publicado em revista médica especializada, envolveu 112 pessoas com idade média de 73,5 anos; 110 morreram no decorrer de uma semana.
  • Os pacientes foram classificados em três grupos conforme a resposta do reflexo corneano: intacto, diminuído e ausente. A ausência do reflexo elevou o risco de óbito nas próximas 24 horas para 5,5 vezes, com mortalidade de setenta e sete por cento nesses casos.
  • A pesquisa ressalta que a perda do reflexo reflete deterioração do tronco cerebral e que o teste, embora útil, não garante o momento exato da morte.

A medicina ainda encara o fim da vida como um tema tabu, mesmo com avanços que ajudam a entender o que ocorre perto da morte. Pesquisadores sul-coreanos apresentaram um método simples para identificar horas finais em pacientes em fase terminal.

O estudo, publicado no British Medical Journal of Supportive and Palliative Care, envolveu 112 pacientes, em sua maioria com câncer avançado, com idade média de 73,5 anos. Sessenta e oito faleceram em até uma semana, após aplicação do teste.

O teste e os resultados

O reflexo corneano foi avaliado três vezes ao dia por enfermeiras, com um cotonete. Os pacientes foram classificados em três grupos: reflexo intacto, reflexo diminuído e reflexo ausente.

Entre os sem reflexo, o risco de óbito nas 24 horas seguintes foi estimado em 70,7%, comparado a 12,9% nos demais. A ausência do reflexo elevou o risco de morte iminente em 5,5 vezes, segundo os autores.

Interpretação e limitações

Os autores destacam que a perda do reflexo indica deterioração do tronco cerebral, parte natural do processo de morte. Contudo, manter o reflexo não exclui a possibilidade de falecimento a qualquer momento.

A pesquisa acrescenta uma ferramenta prática para decisões que envolvem família, equipe médica e cuidados paliativos, especialmente em contextos culturais onde a presença de parentes é valorizada.

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