- Bats abrigam mais de mil quinhentas espécies, o que favorece uma grande variedade de microrganismos e vírus patógenos.
- A relação entre morcegos e vírus é antiga, com coevolução ao longo de milhões de anos, tornando-os reservatórios eficientes.
- A devastação de habitats naturais aproxima morcegos de novos ambientes e de animais exóticos, aumentando o contato e o risco de feba zoonótica emergente.
- Exemplos históricos incluem o vírus Hendra, que passou de morcegos para cavalos na Austrália em 1994, além de Nipah, arbovírus e coronavírus.
- Mesmo carregando vírus, os morcegos costumam não adoecer, e são importantes para ecossistemas, dispersando sementes, polinizando plantas e controlando insetos.
- Fonte: Luiz Gustavo Bentim Góes, pesquisador do Institut Pasteur de São Paulo.
Do que se trata a relação entre morcegos e vírus? Não há resposta simples. A ideia de que morcegos abrigam mais vírus pode refletir viés de busca e foco histórico do tema.
Os morcegos, ou Chiroptera, somam mais de 1.500 espécies. Suas diferenças de tamanho, dieta e habitats criam microbiotas distintas que, ao longo de milhões de anos, acompanharam a evolução do grupo.
Essa convivência é antiga: fósseis indicam morcegos há cerca de 52 milhões de anos. A novidade é a entrada humana nesse ecossistema, com devastação de habitats que força encontros com animais exóticos.
Ao derrubar florestas para atividades humanas, morcegos passam a voar sobre novos ambientes e interagem com animais de criação. Frutas comidas parcialmente, fezes e urina circulam microrganismos entre espécies.
Esse contato favorece vírus zoonóticos emergentes, que podem evoluir até infectar humanos. Exemplos incluem o vírus Nipah, arbovírus e alguns coronavírus associados a surtos globais.
Foi assim que surgiu o vírus Hendra, que pulou de morcegos para cavalos na Austrália em 1994, levando a casos graves em humanos que tinham contato com os animais.
Os morcegos funcionam como reservatórios porque, mesmo infectados, rarely adoecem. Suas respostas imunes parecem moderar a inflamação, permitindo que continuem ativos na natureza.
Mesmo carregando muitos microrganismos, eles mantêm atividades ecológicas essenciais: dispersam sementes, polinizam plantas, controlam insetos e produzem fertilizantes com o guano.
Essa visão contrasta com a imagem de morcegos como agentes de doenças, destacando a importância de preservar habitats e reduzir contatos desnecessários entre espécies.
Fonte: Luiz Gustavo Bentim Góes, pesquisador do Institut Pasteur de São Paulo.
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