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Portugueses podem ter chegado ao Brasil por rota diferente da Bahia

Nova hipótese aponta chegada de Cabral ao RN, não à Bahia, com evidências de ventos e correntes; estudo envolve campo e turismo local

À esquerda, representação de Pedro Álvares Cabral; à direita, réplica da pedra do Marco, no litoral do Rio Grande do Norte
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  • Estudo científico aponta que o primeiro contato pode ter ocorrido no litoral do Rio Grande do Norte, e não em Porto Seguro, Bahia, com base na carta de Pero Vaz de Caminha, dados físicos e simulações de ventos e correntes.
  • Pesquisadores: Carlos Chesman, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e Cláudio Furtado, da Universidade Federal da Paraíba; o trabalho foi publicado no Journal of Navigation e inclui expedições em alto-mar e análise de batimetria.
  • Rotas indicadas: trajeto em “S” guiado pelos ventos levaria a São Miguel do Gostoso; caminho em linha reta até Porto Seguro não seria compatível com a navegação da época.
  • Locais citados como pontos do roteiro: Maxaranguape, Praia do Zumbi, Barreira do Punaú, Praia do Marco, Cabo de São Roque e Barreira do Inferno; o monte descrito seria o Monte Serra Verde (RN), e não o Monte Pascoal (BA).
  • Impacto local: o tema alimenta debate educacional no RN e impulsiona turismo regional, com novas rotas e experiências sendo incorporadas, enquanto a versão tradicional permanece até novas verificações.

Em abril de 1500, a esquadra de Pedro Álvares Cabral chegou ao litoral brasileiro, tradicionalmente apontado como Porto Seguro, na Bahia. Nova pesquisa questiona esse marco histórico.

Pesquisadores da UFRN e da UFPB, Carlos Chesman e Cláudio Furtado, defendem que o primeiro contato pode ter ocorrido no litoral do Rio Grande do Norte. O estudo foi publicado no Journal of Navigation.

A análise cruza a carta de Pero Vaz de Caminha com dados de ventos, correntes, batimetria e simulações de navegação. Expedições reais ao mar foram realizadas para comparar com a descrição histórica.

Rota marítima sob revisão

As simulações sugerem que a rota comum na época, guiada pelo vento, poderia levar a frota a uma trajetória em S até o RN, chegando próximo a São Miguel do Gostoso. A linha reta, rumo à Bahia, seria menos compatível com a navegação do século XV.

O estudo aponta pontos costeiros no RN que se alinham com a narrativa da carta, como Maxaranguape, Praia do Zumbi, Barra do Punaú, Praia do Marco, Cabo de São Roque e a Barreira do Inferno. Monte Serra Verde é citado como possível referência.

Impactos locais e acadêmicos

Especialistas locais veem fatores geográficos que fortalecem a hipótese, destacando a natureza sinuosa do litoral potiguar e a necessidade de embarcações menores em alguns trechos. A possibilidade reacende debates sobre a origem do Brasil.

A região ganha destaque cultural e turístico-cultural, com roteiros que associam locais históricos à nova hipótese. Turistas também acompanham visitas guiadas e experimentos de barco para conhecer a possível chegada em RN.

Conjunto de evidências e próximos passos

A versão tradicional permanece ensinada, e a validação depende de novos dados. A pesquisa reforça a discussão científica já presente há décadas, sem eliminar outras hipóteses. O tempo deverá indicar qual leitura se fortalece.

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