- O rover Curiosity identificou 20 moléculas orgânicas em arenitos ricos em argila na região Glen Torridon, na cratera Gale, em Marte.
- As moléculas foram detectadas com o instrumento Sample Analysis at Mars (SAM) por meio de termocemólise com hidróxido de tetrametilamônio, liberando estruturas complexas.
- Entre os compostos confirmados estão naftaleno, benzotiofeno e metil benzoato, contendo nitrogênio, enxofre e oxigênio, preservados em rochas com cerca de 3,5 bilhões de anos.
- Os resultados, publicados na Nature Communications, indicam que Marte pode ter mantido matéria orgânica antiga, ampliando as possibilidades sobre química pré-biótica e habitat.
- Especialistas destacam que moléculas orgânicas sozinhas não comprovam vida; a origem, interna ou externa ao planeta, ainda não está definida, mas a metodologia é relevante para futuras buscas.
O rover Curiosity, em Marte, identificou 20 moléculas orgânicas em arenitos ricos em argila na região Glen Torridon, na crateras Gale. O achado ocorreu na superfície marciana, com amostras analisadas por meio do instrumento SAM. O experimento utilizou termocemólise para liberar componentes de estruturas orgânicas.
O estudo, publicado na Nature Communications, aponta que essas moléculas permaneceram preservadas por cerca de 3,5 bilhões de anos. Entre os compostos detectados estão estruturas aromáticas, cíclicas e moléculas contendo enxofre, oxigênio e nitrogênio.
A análise foi conduzida com hidróxido de tetrametilamônio (TMAH), que quebra macromoléculas para revelar seus fragmentos. A técnica permitiu confirmar a presença de moléculas também associadas a meteoritos ricos em carbono.
Entre os exemplos identificados estão o naftaleno, o benzotiofeno e o metil benzoato, substâncias encontradas em meteoritos carbonáceos. Isso sugere que parte da matéria orgânica pode ter origem externa, embora não descarte processos internos.
Além das moléculas sem nitrogênio, foram encontradas estruturas heterocíclicas que contêm nitrogênio, relevantes para moléculas biológicas como DNA e RNA. A presença amplia as possibilidades sobre a química pré-biótica no planeta.
A pesquisadora Amy Williams, da Universidade da Flórida, participa das missões Curiosity e Perseverance e ajudou a desenvolver o experimento. O texto ressalta a preservação de matéria orgânica antiga como indicativo de habitabilidade potencial.
Especialistas, no entanto, destacam cautela. A detecção de moléculas orgânicas não implica evidência de vida. Processos puramente geológicos podem gerar compostos semelhantes, sem participação biológica.
Segundo o astrobiólogo César Salván, as moléculas observadas são de origem abiótica, o que não garante vidas passadas em Marte. O estudo ressalta ainda que a metodologia demonstrou potencial para explorar rochas marcianas futuras.
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