- A neurocientista Suzana Herculano-Houzel será destaque no São Paulo Innovation Week, que acontece de 13 a 15 de maio, com mais de 1.500 palestrantes.
- Ela afirma que a inteligência artificial não tem valores humanos e destaca os limites da tecnologia frente ao potencial criativo do cérebro.
- Suas pesquisas mostraram que o cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios corticales e que a criatividade depende de prática, tempo e experiências.
- A cientista alerta que terceirizar tarefas cognitivas para IA pode reduzir oportunidades de desenvolver habilidades próprias.
- O uso passivo de telas não frita neurônios, mas acarreta tempo de vida desperdiçado; reforça a importância de educação, ambientes naturais e oportunidades na infância para a criatividade.
Suzana Herculano-Houzel, renomada neurocientista, será destaque no São Paulo Innovation Week, festival promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. Entre 13 e 15 de maio, o evento reúne mais de 1.500 palestrantes em palcos na Arena Pacaembu e na Faap, com trilhas que abrangem tecnologia, negócios e impacto social.
A pesquisadora é referência mundial pela estimativa do número de neurônios no cérebro humano, que hoje é aceito como 86 bilhões. Suas pesquisas também criaram métodos para contar células cerebrais, influenciando o entendimento sobre criatividade e capacidade cognitiva.
Durante entrevistas, Suzana aborda o papel da prática e do tempo na construção de habilidades criativas. Ela ressalta que o cérebro não é apenas biologia, mas resultado de interação com o ambiente e educação. O tema dialoga com IA e desenvolvimento infantil.
Sobre a palestrante
Suzana é professora da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, e tem atuação que redefine conceitos de neurociência. Seu trabalho também questiona limites da tecnologia ao enfatizar a importância de manter o cérebro ativo para inovação.
Ela explica que a criatividade depende da prática, experiência e do acúmulo de dados mentais. Segundo a pesquisadora, treinar o cérebro é essencial para transformar potencial em habilidades reais de criação.
A professora compara o funcionamento da IA ao aprendizado humano, destacando que o cérebro atribui valores e consequências às escolhas, enquanto a IA opera apenas com dados e padrões. Essa diferença é central para debates sobre terceirização de decisões.
IA, criatividade e uso das telas
A especialista aponta que terceirizar tarefas cognitivas para a IA pode reduzir oportunidades de desenvolver capacidades próprias. Ainda assim, há tarefas rápidas em que a IA pode auxiliar, desde que não substituam o treino intelectual essencial.
Quanto mais o cérebro é usado, mais forte ele fica. O uso passivo de telas é visto como tempo desperdiçado, pois não oferece desafio nem estímulos para o aprendizado. A visão é de que o tempo gasto em redes sociais deve ser avaliado pela oportunidade de crescimento.
Sobre ambientes urbanos, a neurociência aponta que estímulos contínuos podem cansar o cérebro, enquanto a natureza e a redução de sinais visuais agressivos ajudam a manter o equilíbrio cognitivo. A gestão do estresse é considerada fundamental para a criatividade.
Educação e políticas públicas
Para a infância, Suzana ressalta que a oportunidade de acessar escolas e experimentar diferentes áreas é decisiva. A pesquisa científica requer financiamento para transformar conhecimento em inovação, segundo a especialista, destacando que falta de recursos impede avanços.
Entre as sugestões, destaca a importância de exemplos positivos, liberdade para explorar perguntas próprias e espaço para resolver problemas com autonomia. A ideia é fomentar ambientes que estimulem a curiosidade sem supervisão excessiva.
O São Paulo Innovation Week promete ampliar o debate sobre o potencial humano frente à IA. O evento ocorre entre 13 e 15 de maio, com atividades distribuídas em espaços de referência da cidade, reunindo diferentes setores em busca de aplicações práticas e responsáveis da tecnologia.
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