- Macacos do Rochedo de Gibraltar passaram a comer lama para lidar com distúrbios intestinais provocados por comidas não saudáveis deixadas por turistas (chocolates, salgadinhos e sorvetes).
- Um estudo na Scientific Reports aponta que alimentos gordurosos causam problemas estomacais, levando os animais a se automedicar com terra.
- A lama seria rica em bactérias benéficas e ajudaria a aliviar náuseas, diarreia e a revestir o intestino, reequilibrando o estômago.
- O sorvete é um dos itens que mais preocupa, pois a lactose pode gerar intolerância após o desmame; lama costuma aparecer após consumo de pão ou sorvete.
- Cientistas veem o comportamento como um experimento natural para entender como interações humanas afetam o comportamento e a cultura dos macacos.
Macacos do Rochedo de Gibraltar, na Península Ibérica, passaram a consumir lama para tratar distúrbios estomacais provocados por comidas não saudáveis deixadas por turistas, como chocolates, salgadinhos e sorvetes. A lama seria usada como forma de automedicação.
Pesquisadores observaram o comportamento e divulgaram os resultados em um estudo na revista Scientific Reports. O grupo de estudo tem a liderança de Sylvain Lemoine, antropólogo do Departamento de Arqueologia de Cambridge.
Segundo a pesquisa, as dietas ricas em gordura e açúcar associadas aos lanches de visitantes causam náuseas e diarreia nos macacos, que recorrem à terra para reequilibrar o trato digestivo e revestir o intestino.
O sorvete, alvo de maior preocupação entre especialistas, está relacionado à intolerância à lactose após o desmame. Em várias ocasiões, a ingestão de pão ou sorvete antecedeu o consumo de terra entre os animais.
Para os cientistas, o comportamento se configura como um experimento natural sobre a interação entre seres humanos e animais. A diversidade de contatos entre macacos e visitantes ajuda a entender impactos de ambientes antropogênicos na cultura dos primatas.
Contexto científico
- A lama serve de proteção e alívio para sintomas gástricos decorrentes de dietas humanas desequilibradas.
- O estudo aponta que o comportamento pode refletir adaptações ao ambiente com grande presença humana.
- A pesquisa reforça a importância de gestão de resíduos e alimentação em áreas de contacto entre pessoas e vida selvagem.
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