- Navio de Kyrenia, avistado em 1965 na costa norte de Chipre, data entre 294 e 290 a.C., com casco, leme e carga ainda no lugar; 381 ânforas de várias origens e 9.000 amêndoas preservadas, casco restaurado exposto no Museu de Naufrágio Antigo de Kyrenia.
- A preservação do Kyrenia deve-se à sedimentação protetora sobre o casco e à profundidade de cerca de 30 metros.
- Navio do Mar Negro, com cerca de 400 a.C., encontrado a mais de 2.000 metros de profundidade; água anóxica abaixo de 200 metros impede decomposição, mantendo madeira e artefatos mais intactos.
- Navio de Vis, confirmado em 2025, no Mar Adriático cerca de 30–50 metros de profundidade; itens encontrados incluem ânforas com azeite, especiarias e alimentos, cerâmica helenística e parte do casco.
- Juntos, os três navios oferecem visão sobre as rotas comerciais gregas antigas e destacam técnicas de construção como a “shell-first”, além de evidenciar o estado de conservação possibilitado por ambientes marinhos específicos.
O navio mercante grego, com cerca de 2.500 anos, ganhou destaque por ter sido recuperado com casco, leme e carga ainda no lugar. Em dois milênios, três embarcações distintas chegaram a estados de preservação impressionantes, revelando rotas comerciais antigas entre o Mediterrâneo e o Mar Negro.
Em Kyrenia, na costa norte de Chipre, o Navio de Kyrenia foi descoberto em 1965 por um mergulhador local, a cerca de 30 metros de profundidade. Escavações formais entre 1968 e 1969 mostraram um conjunto diversificado de itens que indicam longas viagens comerciais pelo Mediterrâneo.
Na área do Mar Negro, o navio intacto mais antigo já encontrado pode ter chegado à superfície apenas pela rápida intervenção de condições únicas. A água anóxica abaixo de 200 metros freou a decomposição, mantendo madeira, cerâmicas e utensílios bem conservados.
Kyrenia, o naufrágio que ajudou a mapear rotas medievais
As escavações do Navio de Kyrenia revelaram 381 ânforas de várias tradições regionais, 29 mós de pedra com identificação gravada na quilha e milhares de amêndoas preservadas. O transporte de cargas diversas indica circulação entre ilhas gregas e portos do Levante.
O casco restaurado fica exposto em um museu de Kyrenia, mostrando a tecnologia de construção naval da época. Estudos da época apontam que a última viagem ocorreu entre 294 e 290 a.C., conforme novas calibrações de carbono-14.
O navio do Mar Negro, guardado pela água sem oxigênio
Descoberto em 2018 pela iniciativa Black Sea MAP, esse cargueiro grego data aproximadamente de 400 a.C. e foi encontrado a mais de 2 mil metros de profundidade, a 80 quilômetros da costa de Burgas, na Bulgária. A conservação extrema deve-se à condição anóxica da água ali presente.
A descoberta enfatiza como a falta de oxigênio impede a deterioração de materiais orgânicos. Entre os artefatos recuperados estão cerâmicas, ferragens, utensílios e restos da tripulação.
O achado próximo à ilha de Vis, na Croácia
Em 2025, arqueólogos croatas confirmaram a presença de um navio grego do século IV a.C. nas águas perto de Vis, no Adriático. Localizado entre 30 e 50 metros de profundidade, o sítio revelou ânforas com azeite e especiarias, cerâmica fina e uma seção de casco bem preservada.
Mergulhadores e especialistas destacaram o valor histórico do local, que deve ser estudado por anos. Os artefatos deverão ser expostos no museu local após as escavações continuarem.
Por que esses navios são tão bem preservados
A preservação resulta de condições ambientais específicas, não da sorte. O Kyrenia, com sedimento protetor sobre o casco, mantém a estrutura. O navio do Mar Negro repousa em água extremamente fria e sem oxigênio abaixo de 200 metros. O navio de Vis preserva-se pela sedimentação estável e baixa perturbação do local.
No conjunto, esses três navios ilustram as rotas comerciais gregas antigas, conectando Samos, Cós e Rodes a Atenas, ao mundo adriático e ao Mar Negro. A construção naval com técnica de casca externa reforça o conhecimento sobre a engenharia marítima da época.
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