- Brasil viveu três desastres climáticos em três anos: Petrópolis, em fevereiro de 2022; Recife, em maio de 2022; e Rio Grande do Sul, em maio de 2024, com milhares de desabrigados e prejuízos bilionários.
- Mulheres são as primeiras a morrer e enfrentam maior vulnerabilidade durante deslocamentos climáticos, sob o efeito de responsabilidades de cuidado e racismo estrutural.
- Casos como o de Naira Santa Rita em Petrópolis mostram como aluguel sobe rapidamente e instalações médicas são perdidas, levando à deslocação para cidades vizinhas.
- Pesquisas apontam que, globalmente, centenas de milhões foram deslocados por eventos climáticos e muitos vivem em áreas de alto risco; na América Latina, a média é de 2,4 milhões de pessoas deslocadas por ano.
- Em Porto Alegre, 2024, o ciclo de trauma persiste: mulheres lideram a reconstrução, mas sofrem impactos psicológicos, enquanto há impulso por políticas públicas, como o Projeto de Lei n.º 1594, para dispor de uma política nacional de deslocamento por clima.
O Brasil registrou três grandes desastres climáticos em três anos, destacando um padrão de vulnerabilidade de mulheres diante de eventos extremos. Petrópolis, no Rio de Janeiro, viveu a noite de 15 de fevereiro de 2022, quando enchentes e deslizamentos ceifaram 233 vidas e deixaram milhares desabrigados. A cidade ficou conhecida como símbolo inicial da escalada de eventos extremos no país.
Em Recife, três meses após Petrópolis, a região metropolitana foi atingida por inundações em maio de 2022. A prefeitura apontou dezenas de mortes e o registro de danos significativos em centenas de casas. O padrão de deslocamento interno ganhou evidência com comunidades inteiras expulsas de áreas de risco, muitas vezes com poucas ou nenhuma assistência imediata.
Em maio de 2024, Rio Grande do Sul enfrentou a maior calamidade da sequência, com precipitações intensas que elevaram o nível do Lago Guaíba e causaram destruição em Porto Alegre e arredores. Ao longo de 40 dias de inundação, houve danos generalizados em residências, comércio e infraestrutura, além de perdas psicológicas duradouras para famílias atingidas.
Contexto global e regional
Dados das Nações Unidas apontam que mais de 250 milhões de pessoas foram deslocadas por eventos climáticos na última década, com milhões mais vulneráveis a futuras crises. Região da América Latina e Caribe está entre as mais expostas, com projeções de crescimento no número de desastres e de pessoas forçadas a deixar suas casas até 2040.
Especialistas destacam que mulheres enfrentam vulnerabilidades agravadas durante deslocamentos climáticos. Em contextos de pobreza, raça e trabalho informal, o risco é maior, sobretudo para mães, cuidadoras e mulheres negras ou de grupos historicamente discriminados. Relações de cuidado e dependência econômica costumam ampliar a exposição a riscos durante evacuações e reconstrução.
Impactos sociais e econômicos
O ciclo de desastres expõe famílias a custos elevados de aluguel, com medidas emergenciais de apoio sendo insuficientes ou inconsistentes. Em Petrópolis, muitos moradores registraram elevações significativas em aluguel e dificuldades de acesso a serviços básicos, intensificando a pressão sobre cuidadoras e mulheres responsáveis pelo sustento familiar.
Ainda segundo especialistas, a violação de redes de apoio, perda de moradias e traumas psicológicos persistem mesmo após a retirada das águas. A reconstrução se dá em ritmo desigual, com consequências longas para a educação, a saúde e a economia local.
Impacto documental e político
Caso brasileiro foi utilizado como referência para debates sobre políticas de deslocamento climático. Uma iniciativa liderada por ativistas locais tem buscado consolidar propostas de marco legal que estabeleçam diretrizes para proteção de pessoas deslocadas por eventos climáticos, com foco na garantia de direitos e de assistência humanitária.
Perspectiva de mulheres na recuperação
Pesquisas indicam que mulheres tendem a liderar esforços de recuperação e reconstrução em comunidades afetadas, ao mesmo tempo em que enfrentam barreiras estruturais para acessar apoio institucional. O tema da mobilidade climática e do racismo ambiental ganhou maior visibilidade entre organizações de defesa de direitos humanos e de gênero.
Conclusão
Os desastres de 2022 a 2024 evidenciam a necessidade de políticas públicas integradas para deslocamento climático, com foco em proteção de mulheres, acesso a serviços de saúde e moradia estável. A elaboração de marcos legais pode estabelecer parâmetros de proteção, apoio e reconstrução diante de eventos extremos.
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