- Estudo com mais de 600 mil pessoas acompanhadas entre 17 e 60 anos identifica a idade de ganho de peso como fator de risco: início na juventude é o período mais crítico.
- Quem desenvolveu obesidade entre 17 e 29 anos teve cerca de 70% mais chance de morrer durante o acompanhamento do que quem não teve obesidade precoce.
- Em números simples, se 10 de cada 1.000 pessoas sem obesidade precoce morriam, o total sobe para aproximadamente 17 entre aqueles com ganho de peso cedo.
- O estudo usou medições de peso objetivas ao longo de décadas, fortalecendo a relação entre ganho de peso precoce e mortalidade.
- As mortes associadas à obesidade foram principalmente por doenças cardiovasculares; há ressalvas de que fatores como dieta e atividade física não foram analisados.
O ganho de peso na juventude está ligado a risco maior de morte prematura, aponta estudo da Universidade de Lund, na Suécia. Pesquisadores analisaram dados de mais de 600 mil pessoas acompanhadas entre 17 e 60 anos, com medições de peso ao longo de décadas. O estudo foi publicado em 10 de abril na revista eClinicalMedicine.
Fonte de dados robusta: o acompanhamento utilizou medidas objetivas de peso, colhidas em contextos clínicos, para observar trajetórias reais de mudança corporal. A abordagem evita depender apenas de relatos que podem falhar na precisão, fortalecendo a confiabilidade dos achados.
Entre os jovens que desenvolveram obesidade entre os 17 e 29 anos, o risco de morte durante o período de estudo foi aproximadamente 70% maior do que entre quem não apresentou obesidade precoce. Na prática, a taxa sobe de 10 para cerca de 17 óbitos por mil pessoas ao longo do acompanhamento.
Os resultados indicam que o tempo de exposição aos efeitos do peso excessivo é um fator crítico. Inflamação crônica, resistência à insulina e alterações metabólicas podem acumular desgaste no organismo, favorecendo doenças graves ao longo dos anos.
Padrões específicos também foram observados em diferentes desfechos. As mortes por doenças cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral, foram as mais associadas ao ganho de peso precoce. Já em mulheres, a relação entre momento do ganho de peso e mortalidade por câncer não foi estatisticamente significativa.
Os pesquisadores destacam que, apesar da robustez das medições, o estudo tem limitações. Fatores como dieta e atividade física não foram controlados, e não é possível estabelecer causalidade direta entre ganho de peso precoce e mortes observadas.
A pesquisa reforça a importância de intervenções precoces no combate à obesidade em sociedades com ambientes que favorecem hábitos alimentares inadequados. Os autores defendem que políticas públicas voltadas à prevenção desde o início da vida adulta podem ter efeitos duradouros na longevidade e na saúde geral.
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