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Naufrágio de 2200 anos foi reparado durante a viagem

Navio romano naufragado há cerca de dois mil anos teve quatro a cinco reparos de vedação no casco durante viagens pelo Mediterrâneo, aponta análise de pólen e resinas

Vista da escavação da área da proa do naufrágio Ilovik-Paržine 1. Em primeiro plano, pode-se ver a carga de toras e ânforas. Arqueólogos trabalham perto da estrutura do complexo da proa
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  • Um navio romano que naufragou há cerca de 2200 anos na costa do Mar Adriático teve o casco bem preservado, o que permitiu aos pesquisadores reconstruir parte de sua história operacional.
  • Os revestimentos impermeabilizantes identificados no casco eram à base de piche de pinheiro e uma mistura de piche com cera de abelha, chamada zopissa, que oferecia maior flexibilidade quando aquecida.
  • A análise das amostras revelou, por meio de espectrometria de massa, a presença de derivados de coníferas e a “impressão digital molecular” confirmou a origem resinosa do piche.
  • O estudo também detectou pólen retido nas camadas de revestimento, ligando o navio a vegetação mediterrânea e a ambientes fluviais/costeiros, sugerindo várias intervenções ao longo das viagens.
  • A pesquisa aponta que o navio foi originalmente construído em Brundísio (Brindisi) e recebeu pelo menos quatro a cinco aplicações de revestimento ao longo de sua existência, com reparos possivelmente realizados ao longo da costa nordeste do Adriático; o trabalho foi publicado na revista Frontiers in Materials.

O naufrágio de um navio romano, ocorrido há cerca de 2200 anos na costa do Mar Adriático, revela informações inéditas sobre suas reparações e deslocamentos. Ocasionalmente preservado, o casco permitiu aos cientistas reconstruir parte de sua operação marítima por meio da análise dos materiais de vedação.

A embarcação, conhecida como Ilovik-Paržine 1, foi encontrada em 2016 e passou por investigações contínuas. O estudo mais recente, divulgado na Frontiers in Materials, foca nos materiais orgânicos usados para impermeabilizar o casco, destacando sua importância histórica para a navegação.

Análises apontam dois tipos principais de revestimento: piche à base de alcatrão de pinheiro e uma mistura de piche com cera de abelha, chamada zopissa na Antiguidade. A segunda formulação oferece maior flexibilidade quando aquecida.

Para chegar às conclusões, pesquisadores examinaram dez amostras com espectrometria de massa e técnicas de identificação de compostos orgânicos. A presença de derivados de coníferas confirmou a origem resinosa do piche.

O estudo também revelou pólen retido nas camadas de revestimento, útil para traçar a origem ambiental dos materiais. Partículas remetem a vegetação mediterrânea e a ambientes fluviais, indicando várias paisagens associadas ao casco.

Vestígios de azinheira, pinheiro, oliveira e aveleira aparecem ao lado de espécies de áreas fluviais, como amieiro e freixo. A presença de abeto e faia sugere ligações com áreas montanhosas do nordeste do Adriático.

As evidências sugerem que o navio recebeu pelo menos quatro ou cinco aplicações de vedação ao longo de sua vida útil. A distribuição das camadas — uniforme na popa e no centro, variada na proa — indica reparos sucessivos durante viagens.

O local de origem do navio é Brundisium, atual Brindisi, na Itália, com parte dos revestimentos possivelmente aplicado nesse ponto e outras camadas acrescidas posteriormente, ao longo da costa nordeste do Adriático.

O estudo ressalta que, embora reparos em navios que percorrem longas distâncias sejam esperados, demonstrar isso é desafiador. O uso de pólen permitiu identificar diferentes revestimentos com perfis moleculares semelhantes.

Além de evidenciar práticas de manutenção, a pesquisa contribui para o entendimento das tradições regionais na construção naval do Mediterrâneo antigo. Os resultados ajudam a mapear redes de reparos e deslocamentos de embarcações romanas.

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