- Estudo publicado na revista Science indica que polvos gigantes, com até quase 20 metros, eram predadores ativos entre 100 milhões e 72 milhões de anos, no Japão e na Ilha de Vancouver, Canadá.
- A pesquisa usou mineração digital de fósseis e reconstrução em 3D com inteligência artificial para analisar mandíbulas fossilizadas, evidenciando uso intenso e desgaste que sugerem mordidas fortes para esmagar conchas e ossos.
- Uma espécie descrita, Nanaimoteuthis haggarti, pode ter atingido cerca de 19 metros de comprimento total, aproximando-se do tamanho de uma baleia moderna.
- O desgaste das mandíbulas não era uniforme, indicando lateralização e sugerindo algum grau de processamento neural mais sofisticado nos polvos ancestrais.
- Os achados ajudam a reescrever a história evolutiva dos polvos, posicionando-os no topo da cadeia alimentar do oceano antigo e destacando mudanças evolutivas semelhantes às de vertebrados e cefalópodes.
Durante décadas, a visão dominante sobre os mares pré-históricos mostrava répteis gigantes no topo da cadeia alimentar. Um novo estudo na Science reverte esse panorama, apontando polvos gigantes de até 19 metros como superpredadores entre 100 e 72 milhões de anos atrás.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Hokkaido, analisou fósseis do Japão e da Ilha de Vancouver, Canadá, para reconstruir a história de polvos antigos. Como o corpo mole se decompondo rapidamente, os cientistas recorreram às mandíbulas duras, ou bicos, para entender o desempenho desses animais.
Mandíbulas como pista
A técnica de mineração digital de fósseis permitiu extrair mandíbulas fossilizadas em rochas do período Cretáceo. As estruturas, feitas de quitina, foram estudadas em detalhe com imagens de alta resolução e reconstrução em 3D via IA.
As mandíbulas exibiram desgaste intenso, com lascas, arranhões e áreas polidas. Em alguns casos, até 10% da ponta estava gasta, sugerindo uso constante para esmagar conchas e ossos.
Tamanho e comportamento
Estimativas apontam que a espécie Nanaimoteuthis haggarti poderia chegar a cerca de 19 metros de comprimento, comparável ao tamanho de uma baleia atual. Esse peso de predador contrasta com a ideia de que invertebrados ocupavam apenas o papel de presas.
O estudo ainda aponta que o desgaste não era uniforme: um lado da mandíbula era mais gasto, indicando lateralização. Tal padrão é associado a maior complexidade neural em animais modernos, sugerindo algum grau de inteligência já presente nesses ancestrais.
Repercussões na evolução
Os fósseis indicam que polvos com barbatanas existiam há pelo menos 100 milhões de anos, reduzindo o registro anterior em até 15 milhões de anos para esse grupo. A descoberta desloca o entendimento sobre quem dominava os oceanos da época.
Além disso, os dados apoiam a ideia de que polvos disputavam espaço com grandes predadores vertebrados, evidenciando uma cadeia alimentar mais diversificada e competitiva do que se pensava.
Perspectivas futuras
Os pesquisadores esperam ampliar a busca por fósseis já coletados, mas pouco analisados, aplicando as técnicas digitais e IA em novas amostras. A continuidade dessas investigações pode redesenhar ainda mais a história dos oceanos pré-históricos.
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