- O teste de DNA-HPV foi incorporado ao SUS em 2025, representando avanço histórico na prevenção do câncer do colo do útero.
- A detecção do risco biológico pode ocorrer até dez anos antes do surgimento de lesões, com vantagem sobre a citologia tradicional.
- Estudo na revista Nature Scientific Reports mostrou que o DNA-HPV aumenta a detecção de lesões pré-cancerosas em até quatro vezes e identifica 83% dos casos no estágio inicial.
- No Brasil, estudo em Indaiatuba (SP) com mais de 20,5 mil mulheres e parceria com a Roche Diagnóstica comprovou o impacto prático do rastreamento precoce.
- A autocoleta, com swab, permite que a própria mulher coletar a amostra em casa, ampliando o acesso para áreas remotas e para quem tem barreiras para o exame tradicional.
O câncer do colo do útero continua a ser uma ameaça relevante no Brasil, com mais de 6,5 mil óbitos e cerca de 17 mil novos casos por ano, segundo o INCA. A incorporação recente do teste de DNA-HPV ao SUS marca um marco histórico na prevenção e no diagnóstico precoce.
A nova abordagem utiliza a detecção direta do DNA do vírus, permitindo identificar o risco de forma antecipada, até cerca de 10 anos antes de lesões visíveis. A mudança de paradigma envolve a transição do rastreamento predominantemente citológico para uma estratégia molecular.
A pesquisadora Dra. Louise De Brot, diretora do departamento de anatomia e genômica do A.C.Camargo Câncer Center, explica que o DNA-HPV representou uma transformação profunda na prevenção, deslocando o foco do exame microscópico para a identificação objetiva do risco biológico.
Eficácia clínica e evidências
Estudos indicam que o teste de DNA-HPV aumenta a detecção de lesões pré-cancerosas em até quatro vezes, identificando a maioria dos casos em estágios iniciais. Na prática, isso facilita diagnósticos com maior antecedência, reduzindo o atraso no tratamento.
No Brasil, a validação nacional ocorreu em Indaiatuba, SP, em parceria com a Roche Diagnóstica, com foco em mais de 20 mil mulheres. A pesquisa mostrou impactos positivos do rastreamento molecular no diagnóstico precoce.
Desafios de implementação no SUS
Em 2025, o teste passou a fazer parte do SUS, mas o desafio é reorganizar o programa de rastreamento para que funcione de forma efetiva. Existem falhas na distribuição do acesso, com uso inadequado do exame por faixas etárias e vulnerabilidade social que dificulta o atendimento.
A autocoleta surge como diferencial, permitindo que mulheres coletem amostras com swab em casa ou em locais convenientes, reduzindo a necessidade de deslocamento a consultórios. A medida pode ampliar o alcance do rastreamento, especialmente em áreas remotas.
Prevenção integrada
Além da vacinação contra o HPV, que é indispensável, é essencial manter um programa de rastreamento eficiente baseado no teste molecular. A genotipagem do DNA-HPV diferencia tipos de maior risco, orientando algoritmos clínicos mais precisos.
A combinação entre vacinação e rastreamento molecular está alinhada a metas globais da OMS para a eliminação do câncer do colo do útero, tornando essa visão factível no âmbito de saúde pública.
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